Quase 40% da indústria prevê alta no endividamento bancário
39% da indústria prevê alta no endividamento bancário

Quase 40% das empresas industriais brasileiras projetam um aumento do endividamento bancário nos próximos três meses, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento aponta que 39% dos entrevistados esperam elevação do crédito bancário, enquanto 53% preveem estabilidade e apenas 8% projetam redução.

Contexto econômico e necessidade de capital de giro

A expectativa de maior endividamento ocorre em um cenário de juros ainda elevados e inflação persistente, que pressionam o fluxo de caixa das empresas. De acordo com a CNI, a busca por crédito está ligada principalmente à necessidade de capital de giro e ao financiamento de investimentos, embora o custo do crédito continue sendo um obstáculo.

O economista da CNI, Marcelo de Ávila, ressaltou que "o aumento do endividamento reflete a estratégia das empresas para manter suas operações e honrar compromissos em um ambiente de incertezas". Ele destacou ainda que "a pesquisa mostra que a indústria está cautelosa, mas precisa de liquidez para atravessar o atual momento econômico".

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Setores mais afetados

A pesquisa também revela diferenças entre os setores. As indústrias de transformação e as de construção civil são as que mais preveem aumento do endividamento, com 41% e 43% respectivamente. Já no setor extrativista, apenas 25% das empresas esperam elevação do crédito.

Segundo a CNI, o endividamento bancário das indústrias já vinha crescendo nos últimos trimestres, impulsionado pela necessidade de recomposição de estoques e pela alta dos custos de produção. O levantamento ouviu 1.500 empresas de todos os portes entre os dias 1º e 15 de abril.

Impactos na economia

O aumento do endividamento pode ter efeitos ambivalentes. Por um lado, indica que as empresas estão conseguindo acesso a crédito, o que é positivo para a atividade econômica. Por outro, eleva o risco de inadimplência caso a economia não reaja como esperado.

A CNI alerta que a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados pode dificultar o pagamento dessas dívidas, especialmente para pequenas e médias empresas. A entidade defende a redução do spread bancário e a ampliação de linhas de crédito subsidiadas para mitigar os efeitos sobre o setor produtivo.

Perspectivas para os próximos meses

Para os próximos três meses, a expectativa é de que o endividamento continue crescendo, mas em ritmo moderado. A pesquisa indica que 56% das empresas pretendem utilizar o crédito para capital de giro, 23% para investimentos e 21% para reestruturação de dívidas.

O levantamento da CNI é realizado trimestralmente e serve como termômetro para avaliar as condições de financiamento da indústria brasileira. Os dados completos estão disponíveis no site da confederação.

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