A taxa de desemprego no Brasil caiu para 7,2% em maio, o menor nível desde 2014, mas o mercado de trabalho já dá sinais claros de desaceleração, segundo análise de economistas consultados pelo Globo. A criação de vagas formais perdeu fôlego, a informalidade cresce e a renda média do trabalhador não acompanha a inflação.
Criação de empregos formais desacelera
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que em maio foram criadas 150 mil vagas com carteira assinada, bem abaixo das 200 mil esperadas pelo mercado. O número também é inferior à média mensal do primeiro trimestre, que foi de 180 mil. “A desaceleração é evidente. O ritmo de contratações está perdendo força, especialmente nos setores de serviços e comércio”, afirma Carlos Eduardo Oliveira, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Informalidade e subocupação em alta
Enquanto o emprego formal desacelera, a informalidade avança. A taxa de informalidade subiu para 40,5% da população ocupada, ante 39,8% no mesmo mês de 2025. A subocupação por insuficiência de horas trabalhadas também cresceu, atingindo 6,2 milhões de pessoas. “O mercado de trabalho está menos dinâmico. As pessoas estão encontrando trabalho, mas de pior qualidade, com menor remuneração e sem proteção social”, analisa Marina Silva, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Renda estagnada e poder de compra em queda
A renda média real do trabalhador ficou praticamente estável em maio, com leve alta de 0,3% em relação ao mês anterior. No acumulado de 12 meses, porém, o rendimento cresceu apenas 1,5%, enquanto a inflação medida pelo IPCA acumula alta de 4,2% no mesmo período. Isso significa perda de poder de compra para a maioria das famílias. “A queda do desemprego é uma boa notícia, mas não reflete a qualidade do emprego. O mercado de trabalho está dando sinais de esgotamento do ciclo de recuperação pós-pandemia”, conclui Oliveira.
Perspectivas para os próximos meses
As projeções dos economistas indicam que a taxa de desemprego pode voltar a subir nos próximos meses, com a desaceleração da economia e os juros ainda elevados. O Banco Central mantém a Selic em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e inibe investimentos. “O cenário é de cautela. Se o governo não adotar medidas para estimular a economia, o desemprego pode voltar a patamares acima de 8% até o fim do ano”, alerta Marina Silva.



