O Brasil registrou a abertura de 145.161 vagas formais de trabalho em junho de 2024, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Esse é o menor saldo para o mês de junho desde 2020, quando a economia ainda sentia os efeitos iniciais da pandemia de Covid-19.
Detalhes dos números de junho
No total, foram contabilizadas 2.220.131 admissões contra 2.074.970 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 145.161 postos de trabalho com carteira assinada. O estoque de empregos formais no país atingiu 48,03 milhões em junho, ante 47,89 milhões em maio, representando um aumento de 0,3% no mês.
O resultado de junho deste ano fica abaixo do observado no mesmo período de 2023, quando foram abertas 157.198 vagas, e também inferior à média histórica para o mês, que gira em torno de 160 mil postos. Em 2020, o saldo foi de 179.136 vagas negativas, reflexo da crise sanitária.
Setores e regiões em destaque
O setor de serviços liderou a geração de empregos em junho, com 71.234 novas vagas, seguido pela indústria (29.845), construção civil (22.876) e comércio (18.590). A agropecuária apresentou saldo positivo de 2.616 postos. Entre as regiões, o Sudeste concentrou o maior número de contratações, com destaque para São Paulo (42.890 vagas), Minas Gerais (18.234) e Rio de Janeiro (12.567).
Por outro lado, o setor de administração pública, defesa e seguridade social registrou saldo negativo de 1.234 vagas, enquanto a agricultura, pecuária e serviços relacionados tiveram desempenho misto.
Análise e perspectivas econômicas
Especialistas apontam que a desaceleração na geração de empregos formais pode estar relacionada ao ritmo moderado da atividade econômica e às incertezas sobre o cenário fiscal e de juros. Apesar da queda no número de vagas, o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em 7,0% no trimestre encerrado em maio, segundo o IBGE.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou que o governo está monitorando os dados e que medidas de estímulo ao emprego estão sendo avaliadas. “Estamos atentos às oscilações do mercado e trabalhando para garantir a manutenção do crescimento do emprego formal”, afirmou em nota.
Comparação com anos anteriores
O saldo de junho de 2024 é o menor para o mês desde 2020, quando o país perdeu 179.136 vagas formais. Em 2021, foram abertas 210.732 vagas; em 2022, 277.944; e em 2023, 157.198. Os dados refletem uma tendência de desaceleração após o pico pós-pandemia. No acumulado do primeiro semestre de 2024, o Brasil já criou 1.200.000 empregos formais, contra 1.350.000 no mesmo período de 2023.
Impacto no estoque de empregos
O estoque total de empregos formais no Brasil chegou a 48,03 milhões em junho, contra 47,89 milhões em maio. O crescimento de 0,3% no mês é inferior ao observado em meses anteriores, mas mantém a trajetória de alta. Desde janeiro de 2023, o país acumula ganho de aproximadamente 2,5 milhões de postos com carteira assinada.
Os dados do Caged são considerados um termômetro importante do mercado de trabalho formal, pois captam todas as movimentações de admissões e desligamentos registrados no sistema. Apesar da desaceleração em junho, o cenário geral ainda é de geração líquida de empregos, embora em ritmo mais moderado.



