O mercado de trabalho brasileiro abriu 145.161 novos empregos formais em junho de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado superou a mediana das projeções do mercado, de 110 mil vagas, e ficou próximo do teto da pesquisa Projeções Broadcast, de 147 mil postos criados. A estimativa mais baixa entre os analistas apontava para abertura de 80 mil vagas.
Sequência de resultados abaixo do esperado é interrompida
Os números de junho interrompem uma sequência de dois meses de resultados abaixo do esperado no Caged. Em abril, o saldo foi de 85.888 vagas (contra mediana de 120 mil), e em maio, também 85.888 (ante 211.100), considerando a série sem ajustes. Apesar da melhora, economistas do mercado avaliam que o mercado de trabalho brasileiro continua resiliente, mas já mostra sinais de desaceleração.
Menor saldo para o mês desde 2020
Apesar da surpresa positiva, o saldo de junho de 2026 foi o menor para o mês desde 2020, quando foram fechadas 53.381 vagas em meio aos impactos da primeira onda de covid-19 sobre a economia. Em junho de 2025, o Brasil havia criado 161.999 postos (série com ajustes de declarações fora do prazo).
O saldo de junho de 2026 decorre de 2.220.131 admissões e 2.074.970 demissões, segundo o MTE. Com o resultado, o estoque de empregos celetistas no país alcançou 48.032.308 vínculos ativos.
Impacto na política monetária
Os dados do Caged serão observados de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne na próxima semana para definir a taxa Selic. No último encontro, em junho, o colegiado reduziu os juros de 14,50% para 14,25%, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho como um fator de pressão sobre a inflação, especialmente no setor de serviços. A leitura dos economistas é que o mercado de trabalho continua aquecido, o que pode influenciar as decisões futuras de juros.



