O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira em alta de 0,87%, cotado a R$ 5,42, refletindo o ambiente de aversão ao risco global provocado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e a espera por indicadores de inflação nos Estados Unidos. O movimento ocorre em meio à escalada do conflito entre Israel e Hamas, que elevou os preços do petróleo e pressionou moedas emergentes.
Impacto das tensões no Oriente Médio
O aumento das hostilidades na região elevou a incerteza entre investidores, que buscaram proteção em ativos considerados seguros, como o dólar e o ouro. O barril do petróleo tipo Brent subiu mais de 2%, ultrapassando os US$ 85, o que também contribuiu para a pressão cambial. Segundo analistas do Banco XYZ, 'a combinação de conflito geopolítico e alta do petróleo tende a gerar saída de capital de países emergentes, como o Brasil'.
Cenário doméstico e expectativas fiscais
No Brasil, o mercado acompanha com atenção as discussões sobre o arcabouço fiscal e a tramitação de medidas que impactam as contas públicas. A percepção de risco fiscal elevado no país adiciona pressão sobre o câmbio. O relatório Focus divulgado nesta semana mostrou nova alta na projeção do dólar para o fim de 2026, passando de R$ 5,30 para R$ 5,35.
Indicadores americanos no radar
Nos Estados Unidos, a agenda econômica inclui a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho, que pode dar pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve. A expectativa de que o Fed mantenha juros elevados por mais tempo fortalece o dólar globalmente. 'Se o CPI vier acima do esperado, o dólar pode se valorizar ainda mais frente ao real', afirma Maria Silva, economista-chefe do Banco ABC.
Desempenho do mercado de ações
A bolsa brasileira (Ibovespa) fechou em queda de 0,5%, aos 120.500 pontos, acompanhando o movimento de aversão ao risco. As ações de empresas ligadas a commodities foram as mais afetadas, com destaque para a Petrobras, que caiu 1,2% mesmo com a alta do petróleo.
Perspectivas para os próximos dias
Especialistas apontam que o câmbio deve continuar volátil, com os investidores monitorando os desdobramentos geopolíticos e os dados de inflação nos EUA. Caso o conflito no Oriente Médio se intensifique, o dólar pode testar o patamar de R$ 5,50. Por outro lado, uma trégua ou acordo de cessar-fogo poderia aliviar a pressão e levar a moeda americana para abaixo dos R$ 5,30.



