O dólar à vista encerrou o pregão desta segunda-feira em alta, cotado a R$ 5,11, impulsionado pela forte queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A ausência de suporte da commodity, aliada a fatores domésticos, pressionou a moeda brasileira, que acumula alta de 2,3% na semana.
Impacto da queda do petróleo
O petróleo tipo Brent recuou mais de 4% nesta sessão, refletindo preocupações com a demanda global e o aumento da oferta. A desvalorização da commodity reduziu o apetite por ativos de risco, afetando diretamente moedas de países exportadores, como o real. Segundo analistas, a correlação entre o petróleo e o câmbio brasileiro tem se intensificado nas últimas semanas.
"O movimento de hoje foi claramente ditado pelo petróleo. Sem o suporte da commodity, o dólar encontrou espaço para subir, mesmo com um cenário externo relativamente calmo", afirmou um operador de câmbio de um grande banco nacional, sob condição de anonimato.
Fatores domésticos agravam pressão
Além do fator externo, o mercado local também contribuiu para a alta do dólar. A divulgação de dados econômicos fracos, como a queda nas vendas do varejo, aumentou as incertezas sobre a recuperação da economia. Investidores monitoram ainda as discussões fiscais no Congresso, que podem impactar a trajetória da dívida pública.
"O real está sofrendo com uma combinação de fatores: petróleo em baixa, dados domésticos frustrantes e a falta de avanço em reformas estruturais", destacou a economista-chefe de uma corretora paulista.
Expectativas para os próximos dias
Para os próximos pregões, analistas apontam que a cotação do dólar deve continuar sensível às oscilações do petróleo e ao noticiário fiscal. Se a commodity não se recuperar, o real pode testar níveis mais altos. O mercado também aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira, que pode influenciar o fluxo de capitais para emergentes.
"O cenário é de cautela. A ausência de um catalisador positivo para o real mantém o dólar em patamares elevados. O suporte apenas viria com uma reversão nos preços do petróleo ou um avanço concreto na agenda fiscal", concluiu o operador.
No fechamento, o dólar comercial registrou alta de 1,2%, enquanto o dólar turismo era negociado a R$ 5,30. O mercado de câmbio encerrou com volume financeiro abaixo da média, indicando baixa liquidez e predomínio de ajuste técnico.



