O dólar comercial fechou o primeiro semestre de 2025 com queda acumulada de quase 6%, surpreendendo analistas que previam maior pressão sobre o real. A moeda norte-americana encerrou junho cotada a R$ 5,20, ante R$ 5,53 no início do ano. O movimento reflete uma combinação de fatores externos e internos que mudaram a percepção de risco sobre o Brasil.
Fatores que impulsionaram a queda do dólar
Entre os principais motivos estão o fluxo positivo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira, que somou R$ 45 bilhões no período, e a melhora nas contas externas do país. O superávit comercial recorde de US$ 45 bilhões no semestre também contribuiu para a oferta de dólares no mercado.
Além disso, o Banco Central manteve a taxa Selic em 14,25% ao ano, atraindo capital especulativo para a renda fixa. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos segue elevado, o que favorece o real.
Mudança de cenário para o real
Segundo analistas do Goldman Sachs, as ações brasileiras estão baratas e o banco reiterou recomendação de compra para o Brasil entre os emergentes. “O real se beneficiou de um ambiente externo menos volátil e de fundamentos domésticos sólidos”, afirmou o relatório.
No entanto, o cenário pode mudar no segundo semestre. A proximidade das eleições de 2026 e a incerteza fiscal podem trazer volatilidade. O Tesouro Nacional lançou um novo título IPCA+ que pela primeira vez ultrapassou 8% ao ano, sinalizando maior prêmio de risco.
Perspectivas para o segundo semestre
O mercado monitora de perto a pesquisa eleitoral AtlasIntel, que mostra Lula com 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Dantas recuou para 36,6%. A disputa acirrada pode pressionar o câmbio.
“O real pode sofrer com a aversão a risco pré-eleitoral, mas o carry trade ainda é atrativo”, avalia a XP Investimentos. A corretora projeta o dólar entre R$ 5,10 e R$ 5,40 até o fim do ano.



