Um levantamento da Chainalysis, empresa especializada em análise de blockchain, revelou que endereços associados a atividades ilícitas receberam US$ 154 bilhões no último ano, o equivalente a cerca de R$ 800 bilhões. Esse valor representa um salto de 161% em relação a 2024, aproximando o mercado ilegal da marca de R$ 1 trilhão movimentado globalmente. O estudo foi divulgado pela CNN Brasil.
Infraestrutura própria e conexões internacionais
O relatório aponta que grupos ilícitos passaram a operar com infraestrutura própria, serviços especializados e conexões internacionais, o que torna as operações mais sofisticadas e difíceis de rastrear. A Chainalysis destaca que essas organizações criminosas estão cada vez mais profissionalizadas, utilizando tecnologias avançadas para ocultar transações.
Brasil como porta de entrada
O Brasil aparece com destaque nesse cenário. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país recebeu aproximadamente US$ 318 bilhões em movimentações registradas em blockchain, cerca de um terço de todo o fluxo de criptomoedas da América Latina. Segundo a Chainalysis, o tamanho do mercado local tornou o Brasil uma das principais portas de entrada para operações financeiras globais, incluindo transações ligadas ao crime organizado.
Três categorias de lavagem de dinheiro
O estudo identifica a presença simultânea, no Brasil, das três categorias que hoje concentram a maior parte da lavagem de dinheiro com criptoativos no mundo:
- Redes de Lavagem de Dinheiro Operadas em Língua Chinesa (CMLNs): organizações que oferecem serviços financeiros clandestinos para traficantes, fraudadores e agentes ligados a governos estrangeiros. Essas estruturas já respondem por cerca de 20% do ecossistema global de lavagem de dinheiro em blockchain.
- Contorno de sanções internacionais: o relatório estima que operações desse tipo movimentaram cerca de US$ 104 bilhões em 2025, uma alta de 694% em comparação ao ano anterior.
- Tráfico de drogas: atividade que permanece entre as principais fontes de recursos movimentados por meio de ativos digitais. A Chainalysis destaca que esse fenômeno tem relevância particular na América Latina e já foi identificado em investigações envolvendo facções como PCC e Tren de Aragua.
O crescimento expressivo das transações ilícitas com criptomoedas acende um alerta para as autoridades brasileiras e internacionais, que precisam aprimorar mecanismos de fiscalização e cooperação para combater esse tipo de crime.



