Minas Gerais enfrenta um cenário de incerteza após a entrada em vigor de novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Além da taxa de até 12,5%, que começou a valer na última sexta-feira (24), parte dos produtos brasileiros do setor já era atingida, desde o último dia 22, por uma tarifa adicional de 25%. Com isso, a sobretaxa chega a 37,5% para pedras lapidadas, como esmeraldas, topázio imperial, turmalina e água-marinha.
Sobretaxa de 37,5% impacta competitividade
A sobretaxa será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas. Representantes do setor em Minas avaliam que as medidas podem reduzir a competitividade dos produtos mineiros no principal mercado comprador, frear investimentos e afetar o emprego.
"Os Estados Unidos sempre foram um grande parceiro comercial para o setor. Com esse novo tarifaço, as empresas ficam mais receosas de fazer novos investimentos. Também há preocupação com a redução da receita das exportações e até com a necessidade de diminuir o quadro de funcionários", afirma Murilo Graciano, presidente do Sindjoias Ajomig.
Minas responde por mais de 80% das exportações brasileiras
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o estado responde por mais de 80% das exportações brasileiras de joias e gemas. Em 2025, as vendas externas de pedras trabalhadas movimentaram cerca de US$ 28 milhões. Para a Fiemg, um dos principais impactos do tarifaço dos EUA para a indústria mineira será a perda de competitividade em relação aos concorrentes de outros mercados.
Diversificação de mercados como saída
Diante desse cenário, a entidade defende que as empresas ampliem a busca por novos compradores para reduzir a dependência dos Estados Unidos. Segundo Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios, empresas de diferentes setores já procuram a federação para identificar novos mercados e ampliar as exportações para outros países. "A economia mineira vai ter que rever seus processos. Os exportadores precisam buscar a diversificação de mercados para não depender somente dos Estados Unidos", afirma Verônica.
O impacto das tarifas já gera preocupação no setor joalheiro mineiro, que agora busca alternativas para manter sua presença no mercado internacional. A redução da receita das exportações pode levar a cortes de postos de trabalho, enquanto a busca por novos compradores surge como uma estratégia para minimizar os danos.



