O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reforço de R$ 18,5 bilhões nas linhas de crédito do programa Brasil Soberano, com juros subsidiados, para apoiar exportadores brasileiros afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O anúncio foi feito em cerimônia no Palácio do Planalto, mas setores produtivos já cobram medidas adicionais, como a ampliação do Reintegra, programa que devolve impostos aos exportadores.
Setores avaliam medidas como insuficientes
Embora o reforço de crédito seja visto como positivo por segmentos como máquinas e equipamentos e calçados, empresários destacam que a medida é paliativa. “O crédito é bem-vindo, mas precisamos de soluções estruturais para aumentar a competitividade”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso. Segundo ele, a devolução de impostos via Reintegra é essencial para reduzir o custo Brasil.
O setor calçadista também se manifestou. “O Reintegra precisa ser ampliado para 3% ou mais, como era antes. Hoje, o percentual é muito baixo e não compensa a carga tributária”, disse o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira.
Detalhes do pacote de crédito
O programa Brasil Soberano oferece linhas de crédito com juros subsidiados para empresas exportadoras. O reforço de R$ 18,5 bilhões será destinado a setores mais impactados pelas tarifas americanas, que incluem sobretaxas de 25% sobre aço, alumínio e outros produtos. O governo estima que as medidas beneficiarão cerca de 2 mil empresas, com prazos de pagamento de até 5 anos e carência de 12 meses.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que o crédito é uma resposta emergencial. “Estamos monitorando os impactos e, se necessário, novas medidas serão adotadas”, afirmou. Haddad não descartou a ampliação do Reintegra, mas disse que a decisão depende de espaço fiscal.
Impacto das tarifas dos EUA
As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump em 2025 afetaram diretamente as exportações brasileiras, especialmente de aço, alumínio, máquinas e calçados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 12 bilhões em produtos para os EUA, uma queda de 15% em relação ao ano anterior. O setor de máquinas e equipamentos foi um dos mais atingidos, com redução de 20% nas vendas.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a situação exige uma resposta coordenada. “O crédito é importante, mas precisamos de medidas que reduzam o custo de produção, como a reforma tributária e a desoneração da folha”, disse.
Reintegra: devolução de impostos como solução
O Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários) devolve até 2% do valor exportado para empresas que comprovem gastos com insumos nacionais. O percentual atual é de 0,1%, considerado insuficiente pelos exportadores. Empresários pedem a elevação para 3% ou mais, o que poderia injetar cerca de R$ 10 bilhões anuais no setor.
O governo, no entanto, resiste à ampliação por causa do impacto fiscal. “Temos que equilibrar as contas. Qualquer desoneração precisa ser compensada”, ponderou Haddad. Apesar disso, o presidente Lula sinalizou que estuda a medida. “Vamos conversar com os setores e ver o que é possível fazer”, disse Lula durante o evento.
Próximos passos
O governo deve anunciar novas medidas nas próximas semanas, incluindo possíveis ajustes no Reintegra e a ampliação de linhas de crédito do BNDES. Enquanto isso, os exportadores aguardam com expectativa. “O crédito ajuda no curto prazo, mas precisamos de competitividade para sobreviver no mercado internacional”, concluiu Velloso.



