Sucessão patrimonial: como converter empresa em renda multigeracional
Sucessão patrimonial: empresa em renda multigeracional

O planejamento sucessório é uma das principais preocupações de empresários que desejam perpetuar seu patrimônio e garantir a segurança financeira de suas famílias. Nesse contexto, Rodrigo Gonçalves Pimentel, especialista em planejamento patrimonial, apresenta estratégias para converter uma empresa operacional em uma fonte de renda multigeracional.

O desafio da sucessão empresarial

Muitos empresários dedicam décadas à construção de seus negócios, mas poucos conseguem transferi-los com sucesso para as próximas gerações. Segundo dados do IBGE, apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração e menos de 5% chegam à terceira. “A falta de planejamento é a principal causa desse fracasso”, afirma Pimentel.

Estruturação de holding patrimonial

Uma das soluções propostas pelo especialista é a criação de uma holding patrimonial. Essa estrutura jurídica permite segregar o patrimônio pessoal do empresário dos ativos operacionais da empresa, facilitando a gestão e a transferência de bens. “A holding funciona como um veículo para centralizar investimentos imobiliários, participações societárias e outros ativos, gerando renda passiva para os herdeiros”, explica.

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Benefícios fiscais e proteção de ativos

Além de organizar a sucessão, a holding oferece vantagens tributárias. No Brasil, o Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) pode chegar a 8% em alguns estados, mas com planejamento é possível reduzir esse custo. “A doação de quotas da holding em vida, com cláusulas de usufruto, permite que o empresário mantenha o controle enquanto transfere gradualmente o patrimônio”, detalha Pimentel.

Renda multigeracional: como funciona

O conceito de renda multigeracional envolve a criação de fontes de receita que beneficiam não apenas os filhos, mas também netos e bisnetos. “Isso é possível por meio de investimentos de longo prazo, como imóveis alugados, participações em fundos imobiliários e dividendos de empresas estáveis”, sugere o especialista. Ele recomenda que a holding invista em ativos que geram fluxo de caixa recorrente, garantindo a sustentabilidade financeira da família.

Governança familiar e profissionalização

Para que o plano funcione, é essencial estabelecer regras claras de governança. “A família deve criar um conselho familiar e um protocolo de gestão, definindo papéis e responsabilidades”, orienta Pimentel. A profissionalização da administração dos ativos também é crucial, evitando conflitos e garantindo a eficiência na tomada de decisões.

Passos práticos para implementar

O primeiro passo é realizar um diagnóstico completo do patrimônio e dos objetivos familiares. Em seguida, contratar uma equipe multidisciplinar, incluindo advogados, contadores e consultores financeiros. “O planejamento sucessório deve ser revisto periodicamente, especialmente diante de mudanças na legislação ou na estrutura familiar”, conclui o especialista.

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