Relatório judicial revela forte pressão no caixa do Vasco
Relatório judicial revela forte pressão no caixa do Vasco

O relatório mensal do administrador judicial sobre a situação financeira do Vasco da Gama, divulgado na última sexta-feira e que apareceu nesta segunda nos autos do processo na Justiça do Rio de Janeiro, aponta uma "forte pressão sobre o fluxo operacional" do clube e da SAF. O documento revela uma "deterioração significativa" nas finanças vascaínas ao longo do mês de junho, com uma queda expressiva no saldo de caixa.

Queda no caixa e necessidade de empréstimo

De acordo com o relatório, o Vasco abriu o mês de junho com R$ 20 milhões disponíveis em caixa, mas fechou o período com apenas R$ 9 milhões, valor que foi integralmente utilizado no início de julho. Essa redução drástica na liquidez levou o clube a buscar um empréstimo DIP de R$ 40 milhões com a empresa de Marcos Lamacchia, empresário que está em negociação avançada para adquirir a SAF vascaína.

O documento, elaborado pelo escritório responsável pela administração judicial, destaca que "os elementos apresentados evidenciam um cenário de relevante restrição de liquidez, com forte pressão sobre o fluxo de caixa operacional". O texto ainda ressalta que "parcela expressiva dos recursos obtidos por meio do financiamento DIP já foi destinada ao custeio das despesas correntes, circunstância que demonstra a elevada dependência de capital externo para a manutenção das operações".

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Receitas e despesas do clube

As receitas do Vasco são geradas principalmente por direitos econômicos, direitos de TV, bilheterias, patrocínios e matchday/sócio-torcedor. Nos meses analisados, março foi o mês com maior entrada de recursos, totalizando R$ 151,364 milhões, valor que inclui a venda do atacante Rayan para o Bournemouth, da Inglaterra. As demais receitas mensais foram: R$ 28,287 milhões em fevereiro, R$ 57,169 milhões em abril e R$ 58,492 milhões em maio.

Apesar do aporte de R$ 120 milhões recebidos à vista com a venda de Rayan, o clube não conseguiu iniciar nenhum mês com mais de R$ 30 milhões em caixa. O saldo de caixa no início de cada mês foi: R$ 28,230 milhões em fevereiro, R$ 7,460 milhões em março, R$ 22,512 milhões em abril, R$ 7,938 milhões em maio e R$ 20,184 milhões em junho. As principais despesas são com o futebol e custos operacionais.

Contexto da intervenção judicial

A divulgação do relatório mensal foi uma decisão da Justiça, que inicialmente determinou uma intervenção na SAF do Vasco em junho, mas depois recolocou o presidente Pedrinho no comando da empresa. Para cumprir a obrigação judicial, o Vasco fornece demonstrativos financeiros ao administrador judicial, que elabora relatórios mensais detalhando a situação financeira da SAF.

No âmbito operacional, o relatório aponta que "não houve atualizações relevantes quanto ao litígio societário no período analisado". As pendências com entidades esportivas nacionais e internacionais permanecem em acompanhamento, estando parte contemplada no Quadro Geral de Credores e parte sendo amortizada conforme pactuações contratuais vigentes. O Vasco e o CRVG (clube social) também informaram que "não foram realizadas melhorias de infraestrutura no Centro de Treinamento no período".

Movimentações em espécie

Quanto às movimentações em espécie, o relatório registra a inexistência de saques no âmbito da SAF, remanescendo apenas a circulação de numerário proveniente da venda de ingressos, com controle de acesso por reconhecimento facial, em atendimento ao Termo de Ajustamento de Conduta. No CRVG, a movimentação em espécie permanece restrita às atividades esportivas e recreativas desenvolvidas nas Sedes do Calabouço e Náutica, com posterior depósito em conta bancária ao final de cada mês.

A situação financeira do Vasco segue sendo monitorada de perto pela Justiça, e o próximo relatório mensal deverá trazer novos detalhes sobre a evolução das finanças do clube e da SAF.

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