As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) voltaram ao radar dos investidores após o governo confirmar o fim da isenção do Imposto de Renda para esses papéis a partir de 2026. A mudança, prevista na reforma tributária, reduzirá a rentabilidade líquida desses ativos, que historicamente atraem investidores pessoa física por sua tributação zero.
O que muda com o fim da isenção
Atualmente, LCIs e LCAs são isentas de IR para pessoas físicas, o que as torna competitivas frente a CDBs e títulos públicos. Com a nova regra, passarão a ser tributadas pela tabela regressiva do IR, com alíquotas de 22,5% a 15%, dependendo do prazo. Na prática, um papel que rende 100% do CDI terá seu ganho líquido reduzido em até 22,5%.
Segundo especialistas, a medida deve redistribuir o fluxo de recursos para outros produtos de renda fixa, como CDBs e debêntures incentivadas, que ainda mantêm vantagens fiscais. “O investidor precisará recalcular a rentabilidade real e considerar alternativas como títulos isentos de infraestrutura”, afirma analista da XP.
Impacto no mercado e nos investidores
O volume emitido de LCIs e LCAs cresceu nos últimos anos impulsionado pela isenção. Dados da ANBIMA mostram que o estoque desses títulos supera R$ 500 bilhões. Com o fim do benefício, bancos e instituições financeiras podem reduzir as taxas oferecidas para manter a atratividade, mas a rentabilidade líquida tende a cair.
Para quem já possui esses papéis, a mudança só valerá para novas aplicações. As emissões anteriores a 2026 continuam isentas até o vencimento. “Quem tem LCI ou LCA com vencimento longo pode se beneficiar da isenção por mais tempo, mas novos investimentos devem ser avaliados com cuidado”, recomenda o economista Ivo Chermont, da Quantitas.
Alternativas para o investidor
Com a perda de atratividade, o mercado já projeta migração para debêntures incentivadas (isenção para infraestrutura), CRIs e CRAs (que podem manter isenção em alguns casos) e até mesmo para o Tesouro IPCA+. “Prefiro ganhar IPCA + 15% em ações ao Tesouro IPCA+”, diz Magalhães, da Guepardo, destacando que a renda variável pode ser opção para quem busca retornos mais altos.
Outra alternativa são os fundos de investimento imobiliário (FIIs), que distribuem rendimentos isentos para pessoas físicas. Contudo, exigem maior tolerância a risco. “O fim da isenção das LCIs e LCAs vai forçar o investidor a diversificar e buscar produtos com maior potencial de retorno”, conclui o analista.



