O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está desenvolvendo uma nova linha de crédito subsidiado com o objetivo de facilitar a compra de produtos em ano eleitoral. Após beneficiar motoristas de aplicativos, o foco do Executivo agora são os motociclistas entregadores, que poderão ter acesso a condições facilitadas para adquirir ou substituir suas motos.
Detalhes da medida
De acordo com técnicos que acompanham as discussões, para ter direito ao financiamento, será necessário que esses trabalhadores prestem serviço para uma plataforma, como o iFood, por pelo menos seis meses. Com o intuito de reduzir os juros e diante do risco de inadimplência — decorrente do perfil desses trabalhadores, que são informais e possuem baixa remuneração — o governo estuda utilizar recursos de um fundo garantidor para cobrir eventuais calotes. O Fundo de Garantia de Operações (FGO) surge como uma alternativa viável.
Também está em pauta a cobrança de um seguro. Os bancos alegam dificuldade em recuperar esse tipo de bem em caso de calote, diferentemente do que ocorre com carros. A exigência de vínculo com uma plataforma tem como objetivo permitir o desconto da parcela do empréstimo diretamente na remuneração creditada na conta bancária do trabalhador.
Público potencial e valores
Técnicos estimam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O valor médio de uma moto é de R$ 17,8 mil, valor bem inferior ao custo de um carro — o programa Move Aplicativos, por exemplo, financiou até R$ 150 mil. A ideia é que os recursos também possam ser utilizados para a compra de motos elétricas, que custam entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, e não haverá exigência de que o fabricante seja uma empresa nacional.
A medida ainda depende de ajustes finais, mas o presidente Lula demonstra pressa e pretende anunciar o financiamento ainda este mês, como parte de um pacote de bondades em ano eleitoral.



