Fechamento aos domingos no ES reduz faturamento de supermercados
Fechamento aos domingos no ES reduz faturamento de supermercados

O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já impacta o faturamento das empresas, segundo estudo da Scanntech, especializada em inteligência de mercado. O estado capixaba, que registrava crescimento acima da média nacional no início do ano, passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a medida.

Desempenho antes e depois da medida

Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto no Brasil o avanço foi de 2,3%. Já em março e abril, o cenário mudou: o faturamento caiu 1,3% no estado, ante crescimento de 0,7% na média nacional, segundo a Scanntech.

O estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos, representando cerca de 64% do mercado capixaba no setor.

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Consumidores se adaptam e concentram compras

Com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias. Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%).

Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina. Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos.

Categorias mais afetadas

Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país. Para Passareli, os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados. "Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café", afirmou.

Atacarejos e lojas menores sentem mais

Os atacarejos foram o formato de loja mais afetado: no Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%. Supermercados de menor porte também sentiram mais os efeitos. Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país; entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais; já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual. Segundo Passareli, "quanto menor a loja, maior o efeito" da medida.

O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

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