Exportação de petróleo do Brasil cai 42,1% em maio com novo imposto
Exportação de petróleo do Brasil cai 42,1% em maio

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO – A exportação de petróleo do Brasil registrou queda de 42,1% em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando 5,49 milhões de toneladas, segundo dados oficiais do governo divulgados nesta quarta-feira. O recuo expressivo reflete a implementação de um novo imposto sobre embarques da commodity, que tem inibido as vendas externas, além do aumento da destinação do óleo bruto para refinarias domésticas.

Desempenho das exportações de petróleo

Em valor, as vendas externas de petróleo somaram US$ 3,82 bilhões em maio, uma queda de 9,3% na comparação anual. A retração menos intensa em relação ao volume deve-se ao aumento de 56,7% no preço médio de exportação, que atingiu US$ 695,99 por tonelada, conforme informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O desempenho confirma o cenário já indicado por números parciais do governo, quando a Reuters mostrou que os embarques brasileiros de petróleo haviam despencado sob efeito da taxação de exportação e do maior uso doméstico do petróleo para produção de combustíveis.

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Impacto do imposto de exportação

O Brasil instituiu em março um imposto de exportação de petróleo, em meio à disparada dos preços internacionais da commodity provocada pelo início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro. Com a medida, o governo buscou elevar a arrecadação para financiar um programa de subsídio aos combustíveis no país, em meio a esforços para reduzir impactos dos preços externos ao consumidor brasileiro.

Ao mesmo tempo, a Petrobras tem elevado o processamento em suas refinarias, como forma de evitar as compras externas de combustíveis. Enquanto os embarques de petróleo encolheram fortemente, as exportações de óleos combustíveis de petróleo (exceto óleos brutos) cresceram 17% em volume e 75,2% em valor na comparação anual, para 1,48 milhão de toneladas e US$ 1,20 bilhão, respectivamente, indicando maior processamento interno.

Exportações de minério de ferro e cobre

As exportações brasileiras de minério de ferro e seus concentrados recuaram 19,4% em maio ante o mesmo mês de 2025, para 28 milhões de toneladas, segundo dados da Secex. Em valor, os embarques somaram US$ 1,97 bilhão, queda de 15,2% na mesma comparação, enquanto o preço médio subiu 5,3%, para US$ 70,33 por tonelada.

Na contramão do minério de ferro, as exportações de minérios de cobre e seus concentrados dispararam em maio em volume, com alta de 102,0%, para 233,4 mil toneladas. Em valor, os embarques avançaram 149,4%, para US$ 1,03 bilhão, refletindo também uma elevação de 23,5% no preço médio.

Ouro

As exportações brasileiras de ouro, não monetário (excluindo minérios de ouro e seus concentrados) somaram 87,15 toneladas em maio, mais de quinze vezes acima do registrado no mesmo mês de 2025, de 5,5 toneladas, segundo dados da Secex. Em valor, os embarques alcançaram US$ 728,4 milhões, alta de 56,7% na mesma comparação, apesar de uma forte queda de 90,1% no preço médio, para US$ 8,36 milhões por tonelada.

Exportações agrícolas

As exportações brasileiras de soja somaram 14,83 milhões de toneladas em maio de 2026, alta de 5,1% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Secex, com o país escoando uma safra recorde.

Já os embarques de café verde totalizaram 155,6 mil toneladas, queda de 8,6% na mesma comparação, com exportadores lidando com estoques baixos, à medida que a colheita da nova safra está só começando.

No segmento de proteínas, o recorte mostra que as exportações de carne de aves alcançaram 461,5 mil toneladas em maio de 2026, aumento de 27,9%.

As exportações de açúcar somaram 1,97 milhão de toneladas em maio de 2026, recuo de 11,9% na comparação anual.

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