EUA ameaçam Brasil com tarifas de 25% e Amcham pede diálogo
EUA ameaçam Brasil com tarifas de 25%; Amcham pede diálogo

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) expressou preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Segundo a entidade, a medida pode elevar custos, reduzir a competitividade das exportações nacionais e criar obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

Recomendação do USTR

O alerta foi feito após a divulgação das conclusões de uma investigação do escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O documento, publicado na segunda-feira (1/6), aponta que práticas do governo brasileiro são consideradas "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Como resposta, o USTR recomenda a aplicação de tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros.

Embora ainda seja apenas uma recomendação, com discussões previstas para as próximas semanas, a Amcham defende esforços diplomáticos para evitar um tratamento tarifário mais severo às exportações brasileiras no mercado norte-americano. "O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas", afirmou Abrão Neto, presidente da organização, em nota oficial.

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Investigação em curso

A Amcham também informou que, nas próximas semanas, deve ser publicado o relatório de uma segunda investigação dos EUA, sob a Seção 301, relacionada a produtos feitos com trabalho forçado. Essa análise pode resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Por isso, a entidade reforça a importância de uma solução negociada.

Detalhes da investigação

A investigação comercial foi aberta em julho de 2024, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias. O relatório de conclusão, com 107 páginas, abrange seis áreas, incluindo comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção e acesso a mercado.

Um dos alvos é o sistema de pagamentos Pix. O documento afirma que "o Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix".

Exceções às tarifas

O USTR propõe tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros, mas com diversas exceções listadas em anexo. Essas exceções incluem itens que poderiam afetar negativamente a economia americana, produtos não cultivados ou produzidos nos EUA e artigos cuja tributação "não contribuiria" para encerrar as práticas brasileiras condenadas.

Impacto limitado, mas incerteza persiste

Para o economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, a lista de exceções protege setores cruciais, como café e indústria aeronáutica, limitando o impacto imediato. No entanto, setores de manufatura de média complexidade podem ser mais afetados. Ele ressalta que a discussão sobre o Pix tem potencial negativo maior, gerando incertezas para investidores.

Martins também destaca que a decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas aumenta a tensão, podendo levar empresas a segurar investimentos no curto prazo. "O relatório ainda passará por consulta popular e não foi implementado. A permanência das medidas dependerá do que for aplicado e da evolução do cenário político brasileiro", conclui.

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