EUA ameaçam Brasil com tarifa de 12,5% por suposto trabalho forçado
EUA ameaçam Brasil com tarifa de 12,5% por trabalho forçado

Os Estados Unidos anunciaram uma nova ameaça tarifária contra o Brasil, um dia após divulgarem a taxa de 25% sobre produtos brasileiros. Desta vez, o governo americano alega que o motivo são falhas no combate ao trabalho forçado. O Brasil não está sozinho nessa nova rodada de tarifas: os EUA publicaram uma lista de dezenas de países que também poderão ser taxados.

Investigação americana

O representante do Comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, divulgou os resultados preliminares de uma investigação sobre práticas de parceiros comerciais. Segundo ele, “o fracasso dos nossos parceiros mais importantes em combater a importação de produtos fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma situação em que os trabalhadores americanos são obrigados a competir globalmente em condições desiguais. Não vamos mais tolerar essa disparidade”.

O relatório da investigação afirma que o Brasil “falhou em impor e aplicar, de forma efetiva, uma proibição de importações de produtos feitos com trabalho forçado”. O texto acrescenta que “esse fracasso não é razoável e prejudica ou restringe o comércio dos Estados Unidos”. Avaliações semelhantes foram feitas em relação a dezenas de outros países.

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Lista de países e tarifas

O governo americano investigou práticas de 60 economias. Para 12 países, além da União Europeia, propôs uma tarifa de 10%. A lista inclui Canadá, México, Reino Unido, Argentina, Indonésia, Bangladesh e Camboja. Para todos os outros países, a tarifa é de 12,5%, incluindo Brasil, China, Japão, Rússia, Índia e Suíça.

Segundo os EUA, os países com tarifa menor possuem algum tipo de lei ou compromisso em acordos comerciais para proibir importações associadas ao trabalho forçado. No entanto, o Brasil já ratificou o protocolo da Organização Internacional do Trabalho para combater o trabalho forçado. Além disso, os acordos de livre comércio firmados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo com Chile e União Europeia, têm compromissos de eliminação dessa violação.

Isenções e setores afetados

O governo americano afirmou no relatório que a pecuária brasileira utiliza trabalho forçado, mas isentou a carne do Brasil da tarifa. Também foram isentos cerca de 700 produtos, como café, frutas, minerais raros, aviões e peças aeronáuticas.

Esta é a segunda ameaça tarifária dos EUA contra o Brasil nesta semana. Na segunda-feira (1º), o governo americano ameaçou aplicar tarifas de 25% por práticas comerciais consideradas injustas ou discriminatórias. Nos dois casos, os setores brasileiros mais atingidos incluem etanol, pescados, açúcar, calçados, madeira e maquinário industrial. Se as duas tarifas forem implementadas, a sobretaxa total chegará a 37,5%, próximo ao tarifaço de 2025, de 40%, imposto por decreto do presidente Donald Trump e suspenso durante negociações.

Próximos passos

Por enquanto, as duas tarifas são recomendações de investigações comerciais. O governo americano ainda ouvirá representantes dos países e setores. Uma audiência sobre a tarifa do trabalho forçado está marcada para 7 de julho, em Washington.

O volume das exportações que pode ser afetado caso a tarifa de 25% seja aplicada é de US$ 15 bilhões, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

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