Apesar das críticas de torcedores sobre a redução do ritmo dos jogos, as pausas para hidratação na Copa do Mundo do Qatar renderam frutos para a Coca-Cola. A patrocinadora dos intervalos afirmou que o aumento nas vendas de suas bebidas esportivas, especialmente a Powerade, impulsionou resultados trimestrais sólidos e permitiu à empresa elevar suas projeções para o ano.
Vendas aquecidas durante a Copa
As pausas, que dividiram as partidas em quatro segmentos, criaram oportunidades extras de exposição para as marcas e geraram receita adicional para as emissoras de TV. O diretor financeiro da Coca-Cola, John Murphy, disse à Reuters: “Não tenho certeza se essas pausas para hidratação se tornarão uma característica permanente do futebol, mas não ficamos insatisfeitos com elas na Copa do Mundo”. Ele destacou que a Powerade foi particularmente beneficiada.
O consumo durante o torneio também deu impulso aos refrigerantes tradicionais e às versões sem açúcar da empresa, que mantêm demanda resiliente mesmo diante da redução nos gastos com itens não essenciais por consumidores de baixa renda nos Estados Unidos.
Desempenho financeiro supera expectativas
No segundo trimestre, a receita comparável da Coca-Cola cresceu cerca de 6%, para US$ 13,37 bilhões, superando a estimativa de US$ 13,16 bilhões compilada pela LSEG. As ações da empresa subiram 1,8% nas negociações pré-mercado e acumulam alta de aproximadamente 20% no ano, desempenho superior ao da rival PepsiCo, que enfrenta fraca demanda por lanches nos EUA.
Apesar do resultado positivo, a companhia enfrenta pressão de custos. Murphy afirmou que os custos do alumínio e do PET subiram mais do que o previsto neste ano. A empresa informou em abril que trabalhava com parceiros de engarrafamento para mitigar o impacto da guerra no Irã, tendo garantido preços mais baixos antes do início do conflito, em fevereiro. Com o prolongamento do conflito, diversas empresas alertam para a inflação de insumos no segundo semestre. A Coca-Cola deve fornecer mais detalhes sobre as expectativas para 2027 em outubro.
Estratégias para crescer
Para impulsionar a receita, a Coca-Cola já havia elevado preços e lançado embalagens menores. Além disso, investiu em outras bebidas do portfólio, como chás prontos para consumo e produtos lácteos da marca Fairlife, que contribuíram para as vendas.
Com base no desempenho recente, a empresa elevou as metas para 2026: espera agora crescimento orgânico da receita de cerca de 5%, ante a faixa anterior de 4% a 5%, e crescimento do lucro por ação comparável de 9% a 10%, contra a meta anterior de 8% a 9%.



