A Caixa Econômica Federal planeja levar entre 15 e 20 projetos de Parceria Público-Privada (PPP) a leilão na B3 neste ano. O movimento reflete o foco crescente do banco público no modelo de investimentos, sobretudo nos setores de iluminação pública, educação infantil, gestão de resíduos sólidos, eficiência energética e habitação social.
Estreia inédita em Recife
No mês passado, a Caixa estreou na Bolsa um formato inédito de PPP voltada à locação social em Recife. O programa promete oferecer moradias por meio de aluguel com valores acessíveis para famílias de baixa renda ou grupos em situação de vulnerabilidade. O certame foi arrematado pelo Consórcio Habitação Social Recife, formado pelas construtoras Sanco e CPM Engenharia.
As empresas vão construir 1.128 unidades habitacionais em sete terrenos localizados na área central da capital pernambucana. Do total, 637 serão destinadas à locação social para famílias com renda entre um e 3,5 salários mínimos. O restante será voltado à venda ou financiamento para famílias enquadradas nas faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida.
A ideia é que o arranjo sirva de referência para outros centros urbanos. A Caixa mantém negociações avançadas para estruturar parceria com Campo Grande e Maceió, de acordo com o vice-presidente de governo do banco, José Marcos de Carvalho Araújo. A expectativa é de que a licitação da capital do Mato Grosso do Sul ocorra no segundo semestre. “Temos mantido conversas com vários municípios”, disse o executivo à Coluna.
PPP de iluminação em Nova Friburgo
Além da iniciativa com Recife, em maio, a Caixa também promoveu na B3 um leilão de PPP de iluminação pública em Nova Friburgo, na região Serrana do Rio de Janeiro. Vencido pelo consórcio Tradetek, o projeto deve beneficiar mais de 190 mil habitantes.
Mercado aquecido
Os empreendimentos ilustram o papel central que as parcerias têm exercido na estratégia da instituição financeira. Em 2025, a Caixa fechou o volume recorde de 52 novos contratos para a estruturação de PPPs e terminou o ano com uma carteira de 130 acordos. O número representou um aumento de 66% em relação a 2024. “Vamos seguir ampliando as contratações, mas agora estamos mais voltados para o leilão, com intenção de transformar esses projetos contratados em investimentos”, explicou Araújo.
Um dos principais motores dessa expansão tem sido o Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos (CEP), administrado pela Caixa. O mecanismo financia estudos técnicos, jurídicos e econômicos necessários para que Estados e municípios levem as PPPs a mercado. Mais do que ajudar no processo licitatório, o banco público quer fornecer apoio ao longo de toda a cadeia. Segundo Araújo, as empresas vencedoras dos leilões frequentemente precisam de recursos para viabilizar os investimentos e a Caixa pode oferecer esse crédito.
A instituição também pode ajudar na concessão das garantias financeiras previstas nos contratos. “Estamos buscando fechar todo esse ciclo, de ponta a ponta, para garantir que os projetos sejam viáveis e tenham essa segurança para todas as partes que contratam”, comenta o executivo.



