O Ibovespa opera em alta nesta última segunda-feira de julho, dia 27, impulsionado pela valorização dos índices acionários ocidentais e pela queda dos rendimentos dos Treasuries americanos. O apetite por risco reflete as expectativas de retomada das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, o que poderia evitar um quinto mês consecutivo de desvalorização do principal indicador da Bolsa brasileira.
Geopolítica e agenda econômica no foco
As preocupações geopolíticas, no entanto, seguem no radar dos investidores, em uma semana de agenda intensa. Além da decisão de juros nos EUA, o mercado acompanha a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) e os balanços de grandes empresas de tecnologia, como Meta (M1TA34) e a brasileira Vale (VALE3).
Diante da possibilidade de um cessar-fogo entre as potências, o petróleo despenca mais de 5%, com o barril do Brent negociado a US$ 86. Esse movimento limita um avanço mais forte do Ibovespa. Além disso, o minério de ferro fechou em queda de 0,27% em Dalian, na China, pressionando as ações da Vale, que também enfrenta um noticiário carregado.
“O Ibovespa só não sobe mais por causa da Petrobras, que tem um peso grande. O recuo do petróleo é fator positivo, mas a incerteza geopolítica ainda é elevada”, afirma Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office.
Ações cíclicas e bancos avançam
Em contrapartida, ações mais sensíveis ao ciclo econômico e de bancos apresentam ganhos, beneficiadas pelo recuo dos juros futuros. “Ações domésticas de consumo sobem mais do que o Ibovespa”, completa Arantes.
O mercado volta suas atenções para o Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira da próxima semana, mas antes avalia o IPCA-15 de julho, que será divulgado nesta terça-feira, e dados do mercado de trabalho, como a Pnad e o Caged. Paralelamente, o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa de juros dos EUA entre 3,50% e 3,75% nesta quarta-feira.
Boletim Focus e expectativas de inflação
O boletim Focus divulgado nesta manhã revelou redução na estimativa mediana para o IPCA de 2026, de 5,15% para 5,12%, ainda bem acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Por outro lado, as projeções para o IPCA de 2027 subiram de 4,20% para 4,22%, e para 2028, de 3,78% para 3,80%. Em relação à Selic, as estimativas permaneceram inalteradas, em 14% ao ano para 2026.
No campo político, as pesquisas eleitorais do Datafolha e BTG/Nexus, além do lançamento de candidaturas para a Presidência da República, também estão no radar. “Mais do que nunca, a eleição entra no radar e pode fazer mais preço”, segundo Arantes.
Vale e Petrobras: destaques negativos
Na Vale (VALE3), Marcelo Gasparino pediu renúncia do conselho da mineradora após destituição anunciada. O Goldman Sachs rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra, citando catalisadores limitados no curto prazo. O banco também reduziu o preço-alvo do ADR para US$ 16, argumentando menor atratividade do valuation e perspectiva moderada para minério de ferro e metais básicos.
Na sexta-feira, dia 24, o Ibovespa fechou em baixa de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, acumulando alta semanal de 0,19%. Nesta segunda, por volta das 11h09, o índice subia 0,20%, na máxima de 174.449,94 pontos, ante máxima de 174.938,86 pontos (+0,52%), e abertura na mínima de 174.048,13 pontos. Petrobras (PETR3;PETR4) caía quase 2,5% e Vale (VALE3) recuava 0,52%. Entre os bancos, Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) subiam cerca de 1%. Na lista das maiores altas estava Hapvida (+5,95%) e, na ponta oposta, Prio (-3,26%).



