A Bolsa brasileira, medida pelo Ibovespa, tem seu desempenho cada vez mais atrelado aos movimentos dos investidores estrangeiros. Após flertar com os 200 mil pontos em meados de abril, o índice perdeu força, reflexo direto da reversão dos fluxos externos. A XP Investimentos, em relatório assinado por Fernando Ferreira e equipe, destaca quatro fases distintas no semestre, que explicam a trajetória do Ibovespa e o papel dos estrangeiros.
Até o último dia 26 de junho, os investidores estrangeiros acumularam saída de R$ 8,7 bilhões no mês passado. No acumulado do ano, porém, o saldo ainda é positivo em R$ 32,8 bilhões, segundo dados da B3, Bloomberg e XP Research.
Fase 1: Forte alta impulsionada por fluxos estrangeiros
O ano começou com as mesmas tendências de 2025, segundo a XP. Duas grandes rotações globais deram suporte às ações brasileiras. Primeiro, a tese de desvalorização do dólar incentivou uma rotação para fora dos ativos americanos, beneficiando metais preciosos e ações de mercados emergentes, incluindo o Brasil. Segundo, o HALO trade (Ativos Pesados, Baixa Obsolescência) levou investidores a migrarem de ações de crescimento para valor e commodities, em meio a preocupações com a disrupção da IA. Nesse cenário, o Brasil registrou uma onda recorde de fluxos estrangeiros, especialmente passivos, levando o Ibovespa a sucessivas máximas históricas.
Fase 2: Eclosão do conflito EUA-Irã
O início do conflito entre Estados Unidos e Irã provocou divergência dentro das ações brasileiras. De um lado, ações ligadas a petróleo se beneficiaram da alta do petróleo. De outro, o aumento das expectativas de inflação e juros pesou sobre o restante do mercado, em especial os cíclicos domésticos. Inicialmente, o impacto negativo da abertura da curva de juros mais do que compensou o suporte vindo do petróleo, levando a uma pequena correção.
Fase 3: Recuperação rápida
Após a reação inicial de aversão a risco, as ações brasileiras rapidamente recuperaram terreno e as entradas estrangeiras foram retomadas. Os investidores passaram a ver o Brasil como relativamente bem-posicionado, dada sua exposição a petróleo, risco geopolítico limitado e preços atrativos. O Ibovespa atingiu sua máxima histórica aos 199 mil pontos no dia 14 de abril.
Fase 4: Grande correção
A partir de meados de abril, o otimismo renovado com IA, após forte temporada de resultados do 1T26 para empresas ligadas ao setor, desencadeou uma rotação intensa para teses de IA, beneficiando EUA e Ásia emergente (Coreia e Taiwan). “Como resultado, a forte onda de fluxos estrangeiros se reverteu, e as ações brasileiras passaram a registrar saídas expressivas de capital. Ao mesmo tempo, uma piora das perspectivas para inflação e juros no Brasil, combinada com aumento do ruído político, pressionou ainda mais os ativos domésticos e ampliou a correção”, aponta a equipe de estratégia da XP. Com isso, o índice chegou a operar abaixo dos 170 mil pontos, fechando na casa dos 172 mil pontos.



