Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) registram alta nesta quinta-feira (29), refletindo a expectativa do mercado em relação à próxima reunião do Federal Reserve (Fed) e a trajetória dos preços do petróleo. O dólar, por sua vez, opera estável ante as principais moedas, em um dia de ajustes nos mercados globais.
Movimento dos juros
A taxa da T-note de 10 anos, referência global para investimentos, subiu 4 pontos-base, para 4,25%, após ter fechado em 4,21% na véspera. O movimento é atribuído à expectativa de que o Fed mantenha os juros elevados por mais tempo, diante da resiliência da economia americana. “O mercado está precificando uma postura mais cautelosa do Fed, o que pressiona os rendimentos”, afirmou John Smith, analista do Bank of America, em nota a clientes.
Dólar estável
O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas principais, oscilava perto da estabilidade, aos 104,50 pontos. A moeda americana se mantém suportada pela diferença de juros entre os EUA e outras economias, mas a alta do petróleo limita ganhos, ao alimentar preocupações com a inflação global. “O petróleo em alta é um fator de risco que pode levar o Fed a agir com mais cautela, mas também pesa sobre o crescimento”, explicou Maria Silva, economista-chefe do banco ABC.
Petróleo no foco
Os contratos futuros do petróleo Brent, referência internacional, operavam em alta de 1,2%, a US$ 80,50 o barril, impulsionados por cortes na oferta da Opep+ e tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse movimento tem impacto direto sobre as expectativas de inflação e, consequentemente, sobre a política monetária dos bancos centrais.
Impacto nos mercados emergentes
A combinação de juros altos nos EUA e petróleo caro tende a pressionar as moedas de países emergentes, incluindo o real. No Brasil, o dólar comercial operava estável, cotado a R$ 5,20, com o mercado aguardando novos sinais sobre a política fiscal e a trajetória da Selic. “O cenário externo segue desafiador para o real, mas o diferencial de juros ainda atrai capital”, destacou o estrategista do banco Modalmais, Pedro Costa.
Os investidores permanecem atentos aos dados de inflação nos EUA, que serão divulgados na próxima semana, e aos comentários de dirigentes do Fed. Qualquer sinal de flexibilização monetária pode alterar o cenário atual.



