Ibovespa oscila com Copom confuso e acordo EUA-Irã no radar
Ibovespa oscila com Copom confuso e acordo EUA-Irã

O ambiente mais tranquilo no exterior após a confirmação da assinatura do acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irã é insuficiente para empolgar o Ibovespa, que enfrenta quatro sessões seguidas de queda. O recuo de entre 3,48% (Brent) e 4,095% (WTI) do petróleo, além do declínio de 1,13% do minério de ferro em Dalian, impõe cautela no início do pregão desta quinta-feira, 18. Investidores também digerem o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom).

Decisão do Copom e sinais divergentes

Na quarta-feira, 17, o colegiado do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas trouxe um texto com sinais divergentes sobre os próximos passos da taxa básica de juros. “Não deu nenhum direcionamento claro”, afirma Bruna Centeno, economista, advisor e sócia da Blue3 Investimentos.

Nos Estados Unidos, o tom positivo reflete a assinatura do acordo de paz provisório entre EUA e Irã, além do tom duro do presidente do Federal Reserve (Fed). Já no Brasil, o destaque fica para a repercussão do comunicado confuso do Copom. De um lado, o BC reconheceu a piora do cenário inflacionário – com inflação e expectativas mais altas, atividade acelerando e riscos extras vindos de estímulos à demanda e do clima. Porém, usou elementos pouco usuais, como antecipar o horizonte relevante, para justificar o corte de juros e manter aberta a possibilidade de novas reduções.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Reações do mercado e declarações do ministro

Antes do Copom, o Fed decidiu manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme esperado. Na primeira decisão do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, o dirigente surpreendeu com um tom mais duro, sugerindo alta das taxas ainda em 2026. Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra manteve a taxa básica inalterada em 3,75%, como previsto.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ver espaço para novos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central. “Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso, sem dúvida nenhuma, é uma competência do Banco Central”, afirmou em entrevista ao portal Metrópoles.

No comunicado, o Copom surpreendeu ao citar o primeiro trimestre de 2028 já no texto de junho, visto que o período só seria horizonte relevante a partir da próxima reunião. Essa “rolagem” de horizonte explicaria, em grande medida, a redução anunciada na quarta-feira, mesmo diante da alta da projeção do próprio BC para a inflação de 2027 (de 3,5% para 3,7%) e do aumento das expectativas do mercado.

Ao fazer essa antecipação, a economista da Blue3 avalia que o Copom está bastante preocupado e, nesse sentido, alterou suas projeções para a inflação, o que já havia sido antecipado pelo mercado. No comunicado, o BC elevou sua estimativa para o IPCA de 2026, de 4,6% para 5,2%. No Focus da segunda-feira, 15, a mediana para o IPCA deste ano aumentou de 5,11% para 5,30%.

Perspectivas e movimentação do Ibovespa

Para a 4Intelligence, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária, que serão divulgados na próxima semana, devem esclarecer as simulações com trajetórias alternativas de juros consideradas na decisão. “Nossa avaliação é que os modelos oficiais indicarão espaço bastante estreito, possivelmente inexistente, para novos cortes. Assim, projetamos manutenção da Selic em 14,25% ao ano até, ao menos, meados de 2027”, diz a consultoria em nota.

Segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a leitura do comunicado do Copom é de que o Banco Central iniciou uma redução gradual dos juros, mas sem sinalizar pressa. “Houve espaço para o corte agora, porém ainda não há segurança suficiente para assumir um ritmo contínuo de redução da Selic”, afirma.

Na quarta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,70%, aos 168.453,93 pontos. Nesta quinta, após abrir em 168.466,84 pontos (alta de 0,01%), renovou mínima em 167.913,41 pontos (-0,32%) e, na sequência, foi para o campo positivo, na máxima de 169.223,81 pontos (+0,46%). Em Nova York, o destaque é o Nasdaq, com avanço de 1,30%, enquanto o S&P 500 subia 0,90% e o Dow Jones, 0,38%.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar