Ibovespa despenca 2,22% e fecha no menor nível desde janeiro de 2025
Ibovespa cai 2,22% ao menor nível desde janeiro

O Ibovespa fechou esta quarta-feira (3) em forte queda, reduzindo os ganhos acumulados no ano para 5,71%. O principal índice da B3 recuou 2,22%, encerrando aos 170.330,63 pontos, com um volume financeiro de R$ 28,7 bilhões. Esse é o menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, quando o índice operou aos 166.276,9 pontos.

Pressão externa e tarifas dos EUA

O governo dos Estados Unidos propôs na terça-feira (2) uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros no âmbito de uma investigação comercial relacionada ao trabalho escravo. A medida também atinge a União Europeia e outros 58 países, sob a alegação de suposta "falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".

Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o movimento do Ibovespa acompanhou o cenário externo mais adverso e sofreu os impactos do novo tarifaço anunciado pelos EUA. "A combinação entre petróleo em alta, dólar forte, juros futuros em disparada e aumento da aversão ao risco levou investidores a reduzirem exposição aos ativos locais", destaca.

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Petróleo e commodities

O petróleo WTI para julho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 2,4%, a US$ 96,02 por barril. Já o Brent para agosto, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em valorização de 1,89%, a US$ 97,81 por barril.

A Petrobras (PETR3;PETR4) não acompanhou a alta da commodity. As ações ordinárias (PETR3) caíram 1,12%, enquanto as preferenciais (PETR4) recuaram 0,77%. Já a Vale (VALE3) tombou 3,78%.

Mercados internacionais

Em Nova York, os principais índices também fecharam em baixa: S&P 500 caiu 0,74%, Dow Jones recuou 1,21% e Nasdaq perdeu 0,89%. O relatório ADP de emprego no setor privado americano superou as projeções, com a criação de 122 mil vagas em maio, ante expectativa de 120 mil. O dado precede a divulgação do payroll na sexta-feira (5).

Dólar em alta

No mercado de câmbio doméstico, o dólar fechou em alta de 1,14%, cotado a R$ 5,0668. A moeda americana foi impulsionada pelo movimento global de aversão ao risco, em meio ao agravamento das tensões militares entre Estados Unidos e Irã. "O cenário provocou uma disparada do petróleo, o que reacendeu temores inflacionários e, em conjunto com dados resilientes de emprego, impulsionou os rendimentos dos Treasuries", explica Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.

Maiores altas do Ibovespa

As três ações que mais valorizaram no dia foram Copasa (CSMG3), Minerva (BEEF3) e Suzano (SUZB3).

Copasa (CSMG3): +13,34%, R$ 60,00

As ações da Copasa subiram 13,34%, a R$ 60,00, impulsionadas pela notícia de que a Equatorial (EQTL3) entregou nova proposta para ser o investidor de referência da companhia mineira. A Copasa deve anunciar ainda na noite de hoje quem será o escolhido. No mês, CSMG3 acumula alta de 12,31%; no ano, valorização de 35,78%.

Minerva (BEEF3): +2,29%, R$ 3,58

As ações da Minerva avançaram 2,29%, a R$ 3,58, após o JPMorgan elevar a recomendação de neutro para compra, embora tenha cortado o preço-alvo de R$ 8 para R$ 5,50. No mês, BEEF3 cai 2,71%; no ano, desvalorização de 36,91%.

Suzano (SUZB3): +1,95%, R$ 41,22

Os ativos da Suzano subiram 1,95%, a R$ 41,22. "A perspectiva de juros elevados por mais tempo contribui para o fortalecimento do dólar. Nesse contexto, empresas exportadoras tendem a se beneficiar. É o caso da Suzano", explica Fabio Louzada, economista e sócio-fundador da B7 Business School. No mês, SUZB3 cai 1,65%; no ano, desvalorização de 19,87%.

Maiores quedas do Ibovespa

As três ações que mais desvalorizaram foram Azzas 2154 (AZZA3), Hapvida (HAPV3) e Cosan (CSAN3).

Azzas 2154 (AZZA3): -8,48%, R$ 17,38

As ações da Azzas 2154 sofreram a maior queda do dia, tombando 8,48%, a R$ 17,38. A alta dos juros futuros pressionou papéis cíclicos, mais sensíveis aos ciclos econômicos. No mês, AZZA3 cai 9,89%; no ano, desvalorização de 30,84%.

Hapvida (HAPV3): -8,26%, R$ 11,22

Os papéis da Hapvida também sofreram com a alta dos juros futuros e fecharam em baixa de 8,26%, a R$ 11,22. No mês, HAPV3 cai 7,74%; no ano, desvalorização de 23,9%.

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Cosan (CSAN3): -7,73%, R$ 3,58

As ações da Cosan completaram os destaques negativos, tombando 7,73%, a R$ 3,58. No mês, CSAN3 cai 5,79%; no ano, desvalorização de 32,71%.

Com informações do Broadcast.