O prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, combinado com dados recentes da economia brasileira, tem levado instituições financeiras a revisarem para cima suas estimativas para a Taxa Selic. A expectativa é que a taxa básica de juros encerre o ano em 14%, segundo projeção da XP Investimentos.
Ex-diretor do BC vê espaço limitado para cortes
Thiago Berriel, ex-diretor do Banco Central, avalia que há espaço para apenas mais um corte na Selic neste ano. Para ele, o cenário de incertezas externas e pressões internas limita a capacidade de afrouxamento monetário. Berriel destaca que a inflação ainda preocupa, especialmente com o impacto do choque do petróleo e do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos.
UBS aponta pressão fiscal sobre os juros
Economistas do banco UBS afirmam que os impulsos fiscais recentes do governo brasileiro estão pressionando os juros. Eles ressaltam que a política fiscal expansionista, em um contexto de juros globais elevados, tende a manter a Selic em patamares mais altos por mais tempo. O UBS também revisou suas projeções, indicando que o ciclo de cortes pode ser interrompido antes do esperado.
Riscos adicionais para a inflação
Além do conflito no Oriente Médio, outros fatores contribuem para o aumento das pressões inflacionárias. O choque nos preços do petróleo, impulsionado pelas tensões geopolíticas, e os efeitos do El Niño na produção agrícola são apontados como riscos relevantes. Esses elementos podem dificultar o trabalho do Banco Central em controlar a inflação e levar a uma postura mais cautelosa na política monetária.
A XP Investimentos, em seu relatório mais recente, elevou a projeção da Selic para 14% ao ano, ante 13,75% anteriormente. A revisão reflete a combinação de fatores externos e internos que tornam o cenário mais inflacionário e incerto. Outras instituições financeiras também devem anunciar ajustes em suas estimativas nos próximos dias.



