O Scotiabank emitiu um alerta sobre o agravamento do aperto no mercado de crédito brasileiro, citando os recentes resultados do Santander Brasil e o anúncio de aumento de capital do Bradesco como sinais de que a oferta de recursos está se contraindo de forma significativa.
Sinais de estrangulamento no crédito
Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o banco canadense aponta que as provisões para devedores duvidosos (PDD) do Santander subiram para 5,7% da carteira no segundo trimestre, ante 4,3% no mesmo período do ano passado. "Esse aumento mostra que a qualidade do crédito está se deteriorando mais rápido que o esperado", afirma o economista-chefe do Scotiabank para a América Latina, Mario Correa. "O Bradesco, por sua vez, precisou elevar o capital em R$ 8 bilhões, o que indica que os bancos estão se preparando para um cenário mais adverso."
Impacto na economia real
O movimento de redução da oferta de crédito, segundo o Scotiabank, já começa a se refletir na economia real. "Os juros cobrados pelas instituições financeiras estão em patamares elevados, e o spread bancário médio subiu para 42% ao ano, o maior desde 2022", destaca Correa. "Isso tende a inibir o consumo e os investimentos, especialmente em setores como construção civil e comércio." O relatório projeta que o crédito bancário total deve crescer apenas 4% em 2026, contra estimativa anterior de 7%.
Comparação com ciclos anteriores
A situação atual lembra o aperto de crédito observado em 2015-2016, quando a inadimplência disparou e os bancos reduziram drasticamente as concessões. "No entanto, há diferenças importantes", pondera Correa. "Naquela época, o mercado de trabalho estava mais frágil. Agora, a taxa de desemprego está em 8,2%, o que pode atenuar o impacto." Ainda assim, o Scotiabank recomenda cautela com ativos de risco no Brasil.



