O novo CFO espanhol do Santander Brasil, José Manuel García, fez uma análise direta e sem rodeios sobre a situação do banco no país. Em sua primeira entrevista coletiva, ele não poupou críticas à gestão anterior e destacou os principais desafios que a instituição enfrenta, como o aumento da inadimplência e a necessidade de controle de custos.
Inadimplência em alta
García revelou que a taxa de inadimplência do banco subiu para 3,2% no segundo trimestre, acima dos 2,8% registrados no mesmo período do ano passado. "Estamos vendo uma deterioração na qualidade do crédito, especialmente nas linhas de pessoa física e pequenas empresas", afirmou. O executivo atribuiu o aumento ao cenário macroeconômico adverso, com juros elevados e desaceleração da atividade econômica.
Controle de custos é prioridade
Outro ponto destacado pelo CFO foi a necessidade de reduzir despesas. "Não podemos continuar com a estrutura de custos atual. Precisamos ser mais eficientes", disse García. Ele anunciou um plano de reestruturação que inclui o fechamento de 50 agências e a demissão de 1.200 funcionários, o que deve gerar uma economia anual de R$ 300 milhões.
Pressão sobre a margem financeira
A margem financeira do Santander Brasil também está sob pressão. García explicou que a rentabilidade dos ativos caiu devido à concorrência acirrada e à redução do spread bancário. "Estamos perdendo participação em alguns segmentos, como crédito consignado e financiamento de veículos. Precisamos revisar nossa estratégia comercial", destacou.
Perspectivas para 2026
Apesar dos desafios, o CFO manteve a projeção de crescimento do lucro líquido entre 5% e 7% para 2026, impulsionado por ganhos de eficiência e pela recuperação gradual da economia. "Não estamos fugindo dos problemas. Estamos sendo transparentes com o mercado. Nosso objetivo é construir um banco mais sólido e rentável no longo prazo", concluiu García.



