Longevidade financeira feminina: mulheres vivem mais, ganham menos e precisam se planejar
Longevidade financeira feminina: mulheres vivem mais e ganham menos

As mulheres vivem mais do que os homens e, em média, recebem salários menores, fatores que tornam o planejamento financeiro ainda mais crucial para esse público. O tema foi debatido nesta terça-feira (2) no Fin4She Summit, durante o painel “Longevidade feminina: estamos preparadas financeiramente para viver o dobro?”, mediado por Geovana Pagel, editora do E-Investidor.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos homens no Brasil é de 73,3 anos, enquanto a das mulheres chega a 79,9 anos. Por outro lado, elas recebem menos: no setor privado, ganham, em média, 21,3% a menos que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Desafios do planejamento financeiro feminino

Para Ariane Silva, CRO do Morgan Stanley no Brasil, o maior desafio é ter 20 ou 30 anos e pensar nos 80 anos, mas começar cedo facilita o planejamento financeiro. “Esta é a beleza: quanto antes começar, mais fácil fica para se planejar”, destacou. “O investimento não deve ser visto como uma sobra de caixa, mas sim como um projeto de vida”, acrescentou.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Segundo ela, no Brasil, as conversas sobre preparação para a longevidade feminina ainda focam na previdência e na aposentadoria, mas é preciso ir além. “O planejamento para o futuro também envolve a garantia da autonomia financeira, mais do que puramente a previdência”, afirmou Silva.

Autonomia financeira e dependência

A executiva defendeu que a dependência financeira – seja de pais ou maridos – sempre compromete um pouco da liberdade feminina. Um estudo das organizações Think Eva e Think Olga, apresentado no Fin4She Summit na segunda-feira (1º), revelou que situações dentro do casamento podem prejudicar as mulheres, como infidelidade financeira (quando o cônjuge esconde recursos) e violência patrimonial (confisco de bens). Silva vê com preocupação mulheres que delegam o controle de seus investimentos a maridos ou pais. “O cenário evoluiu muito, mas ainda há casos que me deixam preocupada. As mulheres batalham muito para evoluir na carreira. Não podem deixar a gestão de dinheiro para os homens”, afirmou.

Crescente interesse feminino por investimentos

Maria Eugênia Tranin, superintendente de negócios do Itaú, avalia que hoje há mais informação disponível sobre planejamento financeiro do que no passado. Ainda assim, o nível de conhecimento varia conforme a trajetória de vida e a forma como o dinheiro é tratado na família.

Na experiência da executiva no Itaú, as mulheres têm demonstrado interesse crescente por investimentos, mas continuam assumindo renúncias financeiras para cuidar da família, especialmente quando fazem parte da “geração sanduíche”, responsável por pais idosos e filhos, o que exige responsabilidades financeiras em ambas as frentes.

Segundo Tranin, as conversas sobre investimentos também mudaram. Se antes o foco era na rentabilidade, hoje o trabalho das assessorias envolve compreender o momento de vida de cada cliente. “Até o perfil da investidora, entre conservadora, moderada ou arrojada, pode mudar com o tempo”, afirmou.

Presença feminina na assessoria de investimentos

Fabiana Mantovani, head sênior de produtos de investimento do C6 Bank, também observa um aumento do interesse feminino pelo universo dos investimentos. Além disso, destaca a presença crescente de mulheres na assessoria de investimentos. “Esse é um caminho natural e sem volta”, disse.

Dados da 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, mostraram que 31% das brasileiras são investidoras, enquanto entre os homens esse percentual sobe para 41%.

O produto mais utilizado pelas mulheres é a caderneta de poupança, citada por 69% das investidoras. Na sequência, vêm os títulos privados, com 16% de menções, e os fundos de investimentos, com 10%.

Para Mantovani, um dos principais desafios é tornar as conversas sobre dinheiro mais naturais. “As mulheres precisam falar mais sobre números e sobre quanto merecem ganhar para a construção do próprio patrimônio”, afirmou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A executiva também ressaltou a importância da disciplina financeira e do planejamento de longo prazo. “As escolhas que uma mulher faz hoje influenciam diretamente a qualidade de vida que terá aos 85 anos. É fundamental criar o hábito de poupar”, concluiu.