Linha-dura contra inflação perde primeiro teste no Fed
Linha-dura contra inflação perde teste no Fed

O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos enfrentou seu primeiro grande teste de fogo em relação à postura linha-dura contra a inflação, e os resultados indicam uma possível inflexão na política monetária. Durante a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) na última quarta-feira, a maioria dos membros optou por manter a taxa de juros inalterada, contrariando as expectativas de um aumento imediato defendido pela ala mais conservadora do banco central.

Dados de inflação surpreendem para baixo

O principal fator que pesou na decisão foi a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho, que registrou alta de apenas 3,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ante os 3,1% esperados pelo mercado. A inflação núcleo, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, também veio abaixo do previsto, situando-se em 3,3% — uma queda de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. "A desaceleração da inflação é encorajadora, mas ainda não temos confiança suficiente para declarar vitória", afirmou Jerome Powell, presidente do Fed, em coletiva de imprensa após a decisão.

Divisão no comitê

A decisão de manter os juros na faixa de 5,25% a 5,50% não foi unânime. Dois dos doze membros votaram a favor de um aumento de 0,25 ponto percentual, defendendo que a inflação ainda está acima da meta de 2% e que a economia continua forte. "Precisamos de mais evidências de que a inflação está em trajetória sustentável de queda antes de interromper o aperto monetário", disse a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, uma das dissidentes. No entanto, a maioria optou pela cautela, influenciada também pelos sinais de arrefecimento no mercado de trabalho. A taxa de desemprego subiu para 4,1% em junho, o maior nível desde novembro de 2021.

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Impactos nos mercados

Os mercados financeiros reagiram positivamente à decisão do Fed. O índice S&P 500 subiu 1,2% no dia seguinte, enquanto o dólar recuou 0,8% ante uma cesta de moedas. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram para 4,2%, refletindo expectativas de que o ciclo de altas de juros chegou ao fim. "O Fed está caminhando sobre uma corda bamba: precisa controlar a inflação sem matar o crescimento", comentou o economista-chefe do Bank of America, Ethan Harris. A decisão também impacta as economias emergentes, que podem respirar com a perspectiva de juros americanos estáveis.

Próximos passos

O comunicado do FOMC manteve a linguagem de que "o comitê está preparado para ajustar a política monetária conforme necessário", mas não deu sinais claros sobre os próximos movimentos. A maioria dos analistas acredita que o Fed deve manter os juros inalterados na reunião de setembro, aguardando mais dados de inflação e emprego. "O primeiro teste de fogo para a linha-dura mostrou que a cautela venceu, mas a batalha contra a inflação ainda não terminou", resumiu o economista do Goldman Sachs, Jan Hatzius. A reunião de novembro é vista como o próximo ponto de inflexão, com possibilidade de um corte de juros apenas em 2025.

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