O mercado de financiamento de veículos no Brasil começou 2026 com forte ritmo de crescimento. Dados divulgados pela Associação Nacional das Financeiras (Fenave) apontam que a modalidade cresceu 1,09 ponto percentual no primeiro semestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O índice, que mede a proporção de veículos financiados em relação ao total de vendas, atingiu 53,4% — o maior patamar para o período desde 2014.
Queda da taxa Selic e maior concorrência entre bancos impulsionam resultado
De acordo com a Fenave, o principal motor do avanço foi a redução da taxa básica de juros, a Selic, que caiu para 10,5% ao ano em junho, ante 12,75% no fim de 2025. Isso barateou o crédito e estimulou consumidores a trocar de veículo ou adquirir o primeiro carro. “A queda dos juros foi determinante para trazer de volta compradores que estavam à espera de condições melhores”, afirmou o presidente da entidade, Carlos Mendes, em coletiva de imprensa.
Além disso, a concorrência entre bancos e financeiras se intensificou. Grandes instituições, como Banco do Brasil, Itaú e Santander, ampliaram a oferta de linhas com taxas prefixadas mais atrativas, especialmente para veículos seminovos. Dados da Fenave mostram que o volume total de financiamentos no semestre somou R$ 142 bilhões, alta real de 8,3% sobre igual período de 2025.
Veículos populares e seminovos lideram as operações
O segmento de veículos populares (até R$ 50 mil) respondeu por 62% dos contratos fechados, impulsionado por programas de desconto de montadoras e pela oferta de crédito facilitado. Já os seminovos com até quatro anos de uso representaram 28% das operações, com prazo médio de financiamento de 48 meses.
“O consumidor está mais cauteloso e busca veículos com menor desvalorização, o que explica a força dos seminovos”, comentou Mendes. Ele acrescentou que a inadimplência do setor manteve-se estável em torno de 3,2%, abaixo da média histórica, sinalizando saúde na carteira de crédito.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa da Fenave é de que o ritmo de crescimento se mantenha no segundo semestre, puxado pela entrada do décimo terceiro salário e pela continuidade do ciclo de queda da Selic. A associação prevê que a taxa de financiamento feche o ano em 54,5%, o que representaria um ganho de 2,1 pontos percentuais sobre 2025.
No entanto, alerta para riscos como a desaceleração da economia global e a volatilidade cambial, que podem pressionar os juros futuros. “Se a inflação continuar sob controle, o crédito deve permanecer aquecido”, concluiu o presidente da Fenave.



