'Cruel o que fizeram com BRB', diz presidente sobre crise com Master
'Cruel o que fizeram com BRB', diz presidente do banco

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou nesta terça-feira (9) que as transações entre o BRB e o Banco Master foram 'cruéis'. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ele respondeu a questionamentos de senadores do Distrito Federal sobre o maior escândalo financeiro recente do país, investigado pela Polícia Federal.

'O que foi feito com o BRB foi cruel, foi muito difícil. Não está sendo fácil a recuperação do BRB. Os valores colocados foram muito grandes entre compra e venda de carteiras', declarou Souza em resposta a Damares Alves (Republicanos-DF). O executivo assumiu o cargo após a primeira fase da operação Compliance Zero, que prendeu e afastou o então presidente Paulo Henrique Costa, que permanece preso.

Balanço das transações

Na audiência, Souza divulgou um balanço das transações bilionárias entre o BRB e o Master. O BRB tentou comprar o Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Segundo o balanço da atual gestão do BRB:

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  • R$ 30 bilhões foram transacionados entre o BRB e o Master entre 2024 e outubro de 2025, quando ocorreu a operação Compliance Zero.
  • Desse total, R$ 21,9 bilhões foram incorporados ao patrimônio do BRB como 'ativos'.
  • R$ 12,12 bilhões são alvo de apuração da operação Compliance Zero.
  • Pelo menos R$ 8,8 bilhões eram títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação – 'crédito podre' que pode gerar um rombo patrimonial.

'De imediato, nós detectamos que R$ 2,6 bilhões da carteira do fundo Tirreno não existem. Não tem lastro, não tem nada. Fomos pegar essas carteiras todas e detectar o que efetivamente tínhamos que provisionar para cobrir possíveis perdas. São R$ 8,8 bilhões', explicou Souza.

Plano para cobrir o rombo

Para cobrir os R$ 8,8 bilhões em possíveis perdas, o BRB planeja obter R$ 6,6 bilhões por meio de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O acordo envolve a União e o Supremo Tribunal Federal, já que o Distrito Federal está com as contas comprometidas e não poderia tomar o empréstimo sem aval. O ministro do STF Luiz Fux homologou o acordo, mas ele ainda não foi efetivado, dependendo de etapas como a aprovação da Câmara Legislativa do DF.

O empréstimo será abastecido pelo FGC, fundo mantido pelos maiores bancos privados do país. Se o DF não pagar, os bancos privados atuam como fiadores e podem ficar com repasses futuros do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo de Participação dos Estados (FPE) como contragarantia.

Os R$ 2,2 bilhões restantes viriam da securitização da dívida ativa do DF, ou seja, da venda dos direitos de cobrança de dívidas do governo. Uma primeira oferta já arrecadou R$ 1,17 bilhão, e o governo espera arrecadar até R$ 3 bilhões com novos lotes.

Próximos passos

O presidente do BRB prometeu divulgar o balanço atrasado até 30 de junho. Se o empréstimo for concretizado e o DF repassar os recursos ao BRB, o banco garantirá R$ 6,6 bilhões dos R$ 8,8 bilhões (75% do rombo). A operação depende ainda de aprovações legais e da efetivação do acordo no STF.

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