Crédito no Brasil cresce 0,8% em junho e acelera para 9,8% ao ano, aponta Febraban
Crédito no Brasil: alta de 0,8% em junho e 9,8% ao ano

A carteira total de crédito no Brasil registrou expansão de 0,8% em junho, elevando o crescimento acumulado em 12 meses de 9,5% para 9,8%, de acordo com a Pesquisa Especial de Crédito da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O levantamento, consolidado a partir de dados dos principais bancos do país, serve como prévia da Nota de Crédito do Banco Central, prevista para 30 de julho. O resultado foi impulsionado principalmente pelas operações voltadas às empresas, que se beneficiam do dinamismo ainda forte dos programas governamentais.

Expansão do crédito mantém ritmo elevado apesar da política monetária restritiva

Mesmo diante de uma política monetária ainda bastante restritiva, o ritmo de expansão do crédito continua elevado, mas com diferenças entre os segmentos. O crescimento permanece mais intenso nas linhas com recursos direcionados, reflexo direto do impulso dos programas governamentais. “Nas famílias, o ritmo permanece consistente no nível de dois dígitos, com destaque recente para o imobiliário, enquanto as linhas de maior risco mostram certa acomodação na margem”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Empresas lideram alta, com crescimento de 1,5% no mês

A carteira destinada às empresas deve apresentar alta de 1,5% em junho, acelerando a expansão anual de 6,8% para 7,7%. O avanço mensal deve ser puxado pela carteira com recursos livres, que subiu 1,7%, influenciada pelo efeito sazonal positivo de fim de trimestre nas linhas de recebíveis. Em 12 meses, a linha com recursos livres para empresas deve sair da estabilidade para uma alta de 1,9%, impulsionada por uma base de comparação fraca – reflexo do reajuste para cima da alíquota de IOF em junho de 2025, que penalizou especialmente o desconto de recebíveis (risco sacado), medida posteriormente revertida.

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Já os recursos direcionados para empresas devem crescer 1,2% no mês, sustentados pelos programas governamentais, que contaram com novos aportes, como o FGI-PEAC. Apesar de uma ligeira desaceleração na margem, a expansão anual desse segmento segue a mais forte entre as aberturas, passando de 18,2% para 17,4%.

Famílias: avanço moderado, com destaque para o crédito imobiliário

Segundo a pesquisa, a carteira destinada às famílias deve avançar 0,4% no mês, com leve moderação na comparação anual: alta de 11,0%, ante 11,2% no mês anterior. No mês, o avanço é liderado pelas linhas com recursos direcionados (+0,7%), graças ao bom desempenho do crédito imobiliário, impulsionado pelas novas regras do programa Minha Casa Minha Vida. Já os recursos livres apresentam expansão mais tímida, de 0,2%, com moderação nas linhas de maior risco, refletindo o potencial efeito do novo Desenrola.

Em 12 meses, as duas aberturas para famílias seguem em patamares próximos: Pessoa Física Livre em 11,3% (ante 11,7%) e Pessoa Física Direcionada em 10,7% (ante 10,5%).

Concessões de crédito aceleram em junho

As concessões de crédito devem mostrar crescimento de 5,8% em junho, ou 0,7% no dado ajustado por dias úteis. Na comparação com junho de 2025, também por dias úteis, o avanço é mais robusto, de 9,1%. Assim como no saldo, na comparação anual as concessões são puxadas pela carteira destinada às empresas, que registra alta de 17,0%, especialmente nas linhas com recursos livres, devido ao efeito base nas linhas de desconto de recebíveis.

Nas concessões às famílias (+2,5%), o desempenho é mais tímido nas linhas com recursos livres, particularmente no cartão à vista, sugerindo alguma acomodação do consumo no período, de acordo com a Febraban. Por outro lado, nos recursos direcionados, as concessões do crédito imobiliário devem mostrar alta relevante.

No acumulado em 12 meses, o ritmo de crescimento das concessões totais volta a acelerar, após três meses de acomodação, subindo de 8,3% para 8,8%. O movimento é puxado pelo maior dinamismo da carteira Pessoa Jurídica (+9,0%, ante +7,4%), apenas parcialmente contido pela ligeira desaceleração em Pessoa Física (+8,7%, ante +9,0%).

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