O crédito imobiliário brasileiro atingiu R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 23% em comparação com os R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) nesta terça-feira (28). Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, o desempenho foi sustentado por três fatores principais: a recuperação do crédito para construção com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o avanço das operações com recursos do FGTS e a continuidade da demanda por financiamento para aquisição de imóveis.
SBPE impulsiona crescimento no semestre
Os financiamentos com recursos do SBPE para aquisição e construção totalizaram R$ 93,7 bilhões entre janeiro e junho, um avanço de 29% sobre os R$ 72,9 bilhões do primeiro semestre de 2025. O destaque ficou com o crédito para construção, que saltou de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões, alta de 107% na comparação semestral. Cury destacou que esse crescimento reflete em grande parte uma base de comparação mais fraca em 2025. "A gente teve um primeiro semestre de 2025 com um volume muito mais baixo de financiamento à produção. A base de comparação é mais baixa e ela normaliza para patamares parecidos com os observados entre 2021 e 2024", afirmou. Já o crédito para aquisição de imóveis atingiu R$ 67,2 bilhões no semestre, alta de 12% ante igual período de 2025. Mais de 160 mil imóveis foram financiados nessa modalidade, sendo 70% relacionados a imóveis usados.
FGTS ganha força como motor do crédito
As operações financiadas por meio do FGTS cresceram 22% no primeiro semestre, alcançando R$ 77,6 bilhões. O volume financiou mais de 350 mil imóveis, impulsionado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Esse segmento é o principal responsável pela revisão das projeções para 2026, devido à ampliação do orçamento do fundo aprovada pelo Conselho Curador do FGTS para a habitação e ao reforço de recursos do Fundo Social, abastecido por receitas do pré-sal. Segundo Filipe Pontual, diretor-executivo da Abecip, a maior disponibilidade de recursos explica o desempenho mais forte das operações ligadas ao Minha Casa, Minha Vida e pode sustentar um crescimento maior do que o previsto inicialmente para 2026.
Mercado imobiliário segue aquecido
Os dados da entidade mostram que a expansão do crédito ocorre em ambiente favorável. No Brasil, os lançamentos cresceram 34% e as vendas avançaram 4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2025, segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Na cidade de São Paulo, considerando o período de janeiro a maio, os lançamentos cresceram 11% e as vendas avançaram 9% em relação aos mesmos meses de 2025. Os estoques aumentaram 8% no Brasil e 44% na capital paulista. No entanto, a Abecip evitou classificar automaticamente isso como excesso de oferta. "O estoque tem um crescimento, especialmente em São Paulo, mas não é razoável classificá-lo automaticamente como excesso de oferta", afirmou Cury.
Perspectivas e revisão de projeções
Apesar do desempenho acima do esperado, a entidade avalia que ainda é cedo para revisar integralmente as estimativas. O salto no crédito para construção tem forte influência da base de comparação deprimida de 2025, reduzindo a probabilidade de repetição do ritmo na segunda metade do ano. Por outro lado, o FGTS apresentou aceleração superior à prevista. A Abecip também avalia o comportamento das operações com recursos livres, que recuaram 8% no primeiro semestre, para definir os novos números. A entidade mantém visão cautelosa para o restante do ano diante da elevação das taxas de juros de mercado. "O financiamento imobiliário mantém uma trajetória positiva, mas a continuidade desse crescimento dependerá de uma base de funding mais ampla e diversificada", concluiu Cury.



