A temporada de resultados dos bancos brasileiros do segundo trimestre de 2026 ganha força nesta semana, com as principais instituições financeiras divulgando seus números entre julho e agosto. Santander Brasil (SANB11) abre a agenda em 29 de julho, seguido por Bradesco (BBDC3; BBDC4) em 30 de julho, Itaú Unibanco (ITUB4) em 4 de agosto e Banco do Brasil (BBAS3) em 12 de agosto. As projeções das principais casas de análise mostram avaliações distintas, mas com um ponto em comum: o Bradesco é apontado como a instituição com a trajetória mais favorável, enquanto Santander e Banco do Brasil devem enfrentar maiores pressões sobre rentabilidade e qualidade dos ativos. O Itaú, por sua vez, segue sendo visto como o banco mais resiliente do grupo, sustentando retornos superiores mesmo em um ambiente de crescimento moderado.
Santander: perspectivas desafiadoras
Para o Santander Brasil, o consenso entre analistas já indicava um trimestre mais difícil, corroborado pelos dados divulgados pela matriz espanhola. A XP projeta lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 8% na comparação anual e de 11% frente ao trimestre anterior, pressionado principalmente pela margem financeira com clientes (NII) e pelo aumento das provisões, influenciado pelas novas regras de write-off e pelo desempenho mais fraco da carteira de atacado.
O Itaú BBA segue linha semelhante, estimando lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, recuo de 1% na comparação anual e de 5% ante o primeiro trimestre, com crescimento da carteira de crédito de cerca de 4% e avanço de apenas 3% da margem financeira. O banco cita o aumento do custo de risco e desafios específicos em segmentos da carteira, vendo risco de que uma divulgação mais fraca do Santander contamine a percepção dos investidores sobre os demais bancos privados. Já o Bradesco BBI é ainda mais conservador, projetando lucro de R$ 3,3 bilhões, 18% abaixo do consenso da Bloomberg, refletindo estratégia cautelosa na margem com clientes, pressão nos resultados de tesouraria devido à volatilidade da curva de juros e aumento de 12% nas provisões ante o trimestre anterior. O retorno sobre patrimônio (ROE) estimado é de 13,5%. Além disso, o BBI espera que as receitas com tarifas sejam impactadas pela atividade mais fraca do mercado de capitais, projetando contração de 19% no lucro antes dos impostos.
Itaú: resiliência e destaque
A XP espera mais um trimestre resiliente para o Itaú Unibanco, com lucro líquido projetado de R$ 12,4 bilhões, avanço de 8% na comparação anual e de 1% frente ao trimestre anterior. O resultado deve refletir crescimento sólido da carteira de crédito, margem financeira alinhada ao guidance e indicadores de qualidade de crédito ainda administráveis. A corretora ressalta que uma geração mais fraca de receitas com tarifas deve limitar parte da expansão, mas esse efeito deve ser parcialmente compensado por despesas menores e alíquota efetiva de imposto mais baixa.
O Bank of America continua considerando o Itaú o destaque entre os grandes bancos brasileiros, projetando ROE de 24,3% no segundo trimestre, o mais elevado entre os incumbentes, embora espere crescimento mais moderado dos lucros. O JPMorgan mantém o Itaú como sua principal preferência, destacando a combinação consistente entre rentabilidade, qualidade dos ativos e resiliência operacional em ambiente de desaceleração da atividade e maior atenção à inadimplência.
Bradesco: trajetória favorável
O Bradesco surge como o principal destaque positivo entre os grandes bancos privados na avaliação da XP e do Itaú BBA. A XP projeta lucro líquido de R$ 7,0 bilhões no segundo trimestre, alta de 15% na comparação anual e de 2% ante o trimestre anterior. Segundo a corretora, o banco segue beneficiado pelo forte crescimento das receitas, expansão das linhas de crédito com garantia e estabilidade da qualidade dos ativos.
O Itaú BBA mantém visão semelhante, estimando lucro de R$ 7,1 bilhões e ROE de 16,1%. A instituição espera crescimento de aproximadamente 8% na carteira de crédito e avanço de 12% na margem financeira. O custo de risco deve permanecer estável em torno de 3,6%, enquanto a divisão de seguros deve continuar como destaque, com crescimento estimado de 18%. Na visão do BBA, o Bradesco apresenta a melhor combinação entre crescimento e rentabilidade entre os grandes bancos, podendo levar a revisões positivas das projeções anuais. O Bank of America também reconhece a melhora operacional, projetando ROE de 15,9%, mas avalia que desafios relacionados à qualidade dos ativos e ao crescimento mais moderado das receitas ainda limitam o desempenho do setor. O JPMorgan retomou cobertura do Bradesco com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 22 para dezembro de 2027, citando recuperação operacional, mas destacando que a redução do patrimônio tangível e eventual deterioração do crédito podem limitar a velocidade da recuperação.
Banco do Brasil: pressões no crédito rural
O Banco do Brasil é apontado pelo Itaú BBA como um dos bancos mais pressionados nesta temporada. A casa projeta crescimento modesto da carteira de crédito, próximo de 1% na comparação anual, além de custo de risco elevado, ao redor de 6,4%, refletindo fatores sazonais do agronegócio e deterioração mais ampla da qualidade da carteira. Com isso, o Itaú BBA estima lucro líquido de R$ 2,9 bilhões, queda de 25% em relação ao mesmo período de 2025, com ROE de apenas 5,8%. A instituição revisou para baixo suas projeções após observar níveis de provisões superiores aos esperados.
O Bank of America também mantém cautela, destacando o aumento recente dos índices de inadimplência no sistema financeiro, especialmente no crédito rural, e projeta ROE de 7,4% para o trimestre, o menor entre os grandes bancos cobertos. O JPMorgan afirma que a qualidade dos ativos dominará as discussões sobre o Banco do Brasil, com preocupações persistentes na carteira do agronegócio e na evolução da inadimplência. Essa visão sustenta sua preferência por Itaú e Nubank em detrimento de Banco do Brasil e Santander Brasil entre os nomes do setor financeiro brasileiro.



