BC nega licença a fintech da Operação Fluxo Oculto
BC nega licença a fintech da Operação Fluxo Oculto

O Banco Central (BC) negou o pedido de licença para funcionar como instituição de pagamento da fintech investigada na Operação Fluxo Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em julho de 2026. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (24). A empresa, que não teve o nome revelado, é suspeita de movimentar mais de R$ 2 bilhões sem autorização do BC, em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Investigação da Operação Fluxo Oculto

A Operação Fluxo Oculto, realizada pela PF em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), investiga um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava fintechs não autorizadas para movimentar recursos de origem ilícita. Segundo as investigações, a fintech em questão operava sem a devida autorização do Banco Central, oferecendo serviços de pagamento e transferências internacionais de forma irregular. A PF estima que o grupo movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões nos últimos três anos.

De acordo com o delegado responsável pela operação, Carlos Mendes, “a fintech atuava como uma instituição de pagamento paralela, sem qualquer supervisão do sistema financeiro nacional, o que facilitava a ocultação da origem dos recursos”. A investigação aponta que a empresa era controlada por um grupo de empresários do setor de criptomoedas, com ramificações em outros países.

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Decisão do Banco Central

O Banco Central, em sua decisão, afirmou que a fintech não cumpria os requisitos legais para obter a licença de instituição de pagamento, especialmente no que diz respeito à comprovação de origem dos recursos e à estrutura de governança. A negativa da licença impede a empresa de continuar operando legalmente no mercado brasileiro. A fintech ainda pode recorrer da decisão na esfera administrativa ou judicial.

O BC também informou que está intensificando a fiscalização sobre fintechs e empresas de pagamento para coibir práticas ilegais. “A atuação do Banco Central é fundamental para garantir a integridade do sistema financeiro e evitar que instituições não autorizadas coloquem em risco a economia e os consumidores”, disse o diretor de Regulação do BC, Antônio Carlos de Oliveira.

Impacto no setor de fintechs

O caso levanta preocupações sobre a regulação do setor de fintechs no Brasil. Especialistas apontam que a falta de supervisão adequada pode abrir brechas para atividades ilícitas. “É necessário que o BC e outros órgãos reguladores atuem de forma coordenada para garantir que as fintechs operem dentro da lei, sem sufocar a inovação”, afirmou a advogada especialista em direito financeiro, Maria Silva.

A Associação Brasileira de Fintechs (ABFintech) manifestou apoio à decisão do BC, destacando que a maioria das empresas do setor atua de forma ética e regulamentada. “Casos isolados não devem manchar a reputação do setor, que é um motor de inovação e inclusão financeira no país”, disse o presidente da ABFintech, João Pedro Costa.

Próximos passos

A PF continua as investigações para identificar outros envolvidos no esquema e possíveis conexões com organizações criminosas. O MPF já solicitou o bloqueio de bens e contas bancárias dos suspeitos. A fintech, por sua vez, ainda não se manifestou publicamente sobre a decisão do BC.

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