BC corta juros para 14,25% ao ano em meio a inflação alta e críticas
BC corta juros para 14,25% ao ano em meio a inflação alta

O Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na semana passada, para 14,25% ao ano, decisão que gerou controvérsia e foi alvo de críticas por sua aparente incoerência. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada posteriormente, tentou explicar a lógica por trás do corte, mas o documento foi considerado confuso e contraditório por analistas.

Inflação em alta e riscos assimétricos

O BC elevou sua projeção de inflação para o fim de 2027, de 3,5% em abril para 3,7% em junho. Além disso, admitiu que a atividade econômica continua acelerada e o mercado de trabalho permanece forte. Em um trecho da ata, a autoridade monetária reconheceu que o balanço de riscos para a inflação apresenta “assimetria altista”, ou seja, há mais chances de aumento do que de redução dos preços. Mesmo assim, optou por cortar os juros.

Fatores de pressão inflacionária

No balanço de riscos, o BC citou diversos fatores que pressionam a inflação: os efeitos do choque de petróleo causado pela guerra no Oriente Médio, a força da inflação de serviços, o câmbio depreciado, os impactos do super El Niño na produtividade do agronegócio e nos preços de energia, além de “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente consumo”. Esses estímulos, segundo o BC, podem fazer a economia crescer acima de sua capacidade e enfraquecer os “canais usuais de transmissão da política monetária”.

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Críticas à gastança eleitoral

Para muitos analistas, o BC tentou, sem citar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticar a gastança eleitoral que tem patrocinado nos últimos meses. Essa política fiscal expansionista pode gerar crescimento artificial e insustentável, elevando a inflação mesmo com juros elevados. No entanto, a decisão de cortar os juros em meio a esse cenário foi vista como contraditória.

Falta de transparência nos cenários

O BC deixou claro que não pretende adotar um choque brutal nos juros para atingir a meta de inflação. No entanto, a autoridade monetária não detalhou cenários alternativos que mostrassem como a inflação no início de 2028 poderia ficar abaixo da meta, algo que atualmente nenhum economista prevê. Essa falta de transparência abriu margem para interpretações diversas, com alguns vendo a decisão como um sinal de previsibilidade e outros como uma benevolência com o governo em ano eleitoral.

Medidas de crédito subsidiado

O noticiário recente tem mostrado uma série de medidas de acesso a crédito subsidiado, tanto para renegociação de dívidas de consumidores como para aquisição de carros, motos, caminhões e moradias. Essas iniciativas, vistas como tentativas do Executivo de contornar a Selic oferecendo dinheiro barato a potenciais eleitores, mal começaram a rodar. Reduzir a taxa básica de juros em meio a um cenário tão incerto e adverso, como o próprio BC descreveu, não sinalizou “serenidade e cautela”, mas sim incoerência, segundo críticos.

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