A União Europeia (UE) oficializou o veto à compra de carnes, aves, peixes e mel do Brasil, válido a partir de setembro. A decisão, que pegou o governo brasileiro de surpresa no início de maio, sugere mais uma falha de preparação do lado brasileiro.
Impacto econômico e reações
O veto pode representar uma perda bilionária ao agronegócio brasileiro, que exportou cerca de US$ 1,8 bilhão desses produtos ao bloco europeu no ano passado. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou repúdio, classificando a decisão como uma tentativa de "mudar as regras de forma casuística".
Motivações da UE
Segundo a UE, o Brasil não apresentou informações suficientes que garantam o cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos nas criações, como antibióticos. O regulamento europeu é de 2019, e o Brasil teve tempo para se adequar, mas não o fez.
Comparação com outros países
Argentina, Colômbia e México continuam aptos a exportar carne para a UE, demonstrando que é possível cumprir as exigências. O Brasil, principal economia do Mercosul, falhou em se preparar para uma medida que era de conhecimento público desde 2018.
Defesa do agronegócio brasileiro
Entidades do setor defendem a seriedade da inspeção sanitária brasileira e avaliam que o veto não está ligado a problemas com os rebanhos, mas sim à documentação. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes destacou que o Brasil exporta para mais de 170 países, com um dos sistemas de inspeção mais robustos do mundo. A Sociedade Rural Brasileira defendeu uma investigação detalhada sobre as etapas do cronograma de adequação que não avançaram.
Lições para o futuro
O caso serve como alerta para o Brasil reforçar seus protocolos e não ser pego desprevenido novamente. Num mundo de regras comerciais mutantes, é preciso estar preparado para cenários previsíveis, como a cobrança mais rigorosa do uso de antimicrobianos.



