A pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento do governo Lula (PT), Simone Tebet (MDB), afirmou nesta sexta-feira (17) que o aumento de 2% na mistura obrigatória de etanol à gasolina pode neutralizar os impactos da nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante agenda política no noroeste paulista, uma das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do estado.
Impacto da tarifa e proposta de Tebet
O etanol é um dos itens que aparecem na lista dos sobretaxados. Entre os argumentos apresentados pelos EUA na aplicação do tarifaço está a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, afirmou que a tarifa brasileira aplicada ao etanol importado segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não descumpre nenhum acordo bilateral firmado com os Estados Unidos.
Segundo Tebet, a medida de aumento de 2% na mistura é suficiente para absorver, no mercado interno, um volume superior ao atualmente exportado aos norte-americanos, reduzindo o risco de perda de empregos no setor sucroenergético. "Só o aumento de 2% da mistura do etanol na gasolina já supera uma possível interrupção total das exportações para os Estados Unidos", afirmou Simone.
Dados do comércio bilateral de etanol
O Brasil cobra 18% sobre o etanol trazido dos EUA, mas paga 2,5% sobre os litros exportados no sentido oposto. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro em 2025, em um total de US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões). A produção de etanol do Brasil tem como foco o próprio mercado interno brasileiro. Apenas 7% do combustível é exportado - sendo 1% para os EUA. Os dados são da Unica e se referem à safra 2023/2024.
Preocupação com empregos e competitividade
Durante o discurso, Tebet disse conhecer a preocupação dos produtores da região com os efeitos do tarifaço. Ela afirmou que uma eventual queda nas exportações poderia provocar desemprego em massa, já que o etanol brasileiro perderia competitividade diante do etanol de milho produzido pelos Estados Unidos. Segundo a ex-ministra, a ampliação da mistura obrigatória do etanol na gasolina, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ajuda a preservar empregos e dá segurança ao setor.



