O seguro rural brasileiro enfrenta desafios históricos para se consolidar como ferramenta de proteção ao agronegócio. Atualmente, apenas 15% das lavouras do país contam com cobertura securitária, segundo dados do Ministério da Agricultura. O programa, lançado em 2004, sofreu com cortes orçamentários e baixa adesão, deixando os produtores vulneráveis a eventos climáticos extremos.
Panorama Atual do Seguro Rural
Em 2023, o governo federal destinou R$ 1,2 bilhão para o seguro rural, valor considerado insuficiente para atender a demanda do setor. A maior parte dos recursos é direcionada ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que subsidia parte do custo da apólice para o agricultor. No entanto, a adesão ainda é baixa: apenas 15% da área plantada no Brasil está segurada, contra 60% em países como os Estados Unidos. O secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, afirmou: 'Precisamos de um modelo que garanta sustentabilidade fiscal e atraia seguradoras privadas, ampliando a cobertura para todos os biomas e culturas.'
Propostas de Ampliação
Entre as soluções discutidas no setor, estão a criação de um fundo catastrófico para cobrir perdas em eventos extremos e a ampliação do resseguro público. A ideia é reduzir o risco para as seguradoras, incentivando a oferta de apólices em regiões mais suscetíveis a desastres naturais. Além disso, especialistas defendem a integração do seguro rural com outras políticas públicas, como o zoneamento agrícola e o crédito rural. 'O seguro precisa ser parte de um pacote de gestão de riscos, não uma iniciativa isolada', ponderou Campos.
Impacto no Produtor
A falta de seguro deixa os agricultores expostos a perdas que podem comprometer sua renda e a produção de alimentos. Em anos de seca severa, como em 2021, as perdas no campo superaram R$ 50 bilhões, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Estima-se que a cada R$ 1 investido em seguro rural, o governo economize R$ 5 em ações de mitigação e socorro a desastres. A expansão do seguro, portanto, não apenas protege o produtor, mas também reduz o gasto público em emergências.
Desafios e Perspectivas
Apesar dos avanços, o seguro rural ainda enfrenta entraves como a falta de dados históricos de perdas, a burocracia e a concentração de apólices nas regiões Sul e Sudeste. Para ampliar a proteção no campo, é necessário investir em tecnologia de monitoramento climático, capacitação de corretores e simplificação dos processos de contratação e indenização. O governo estuda ainda a criação de um seguro paramétrico, que paga automaticamente com base em índices climáticos, sem necessidade de vistoria. 'Precisamos de inovação e parcerias público-privadas para levar o seguro a todos os cantos do país', concluiu o secretário.



