A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) e a Geomit assinaram nesta quinta-feira (25), em Uberaba, o contrato que marca o início do projeto de produção e distribuição de biometano no Triângulo Mineiro. O empreendimento prevê investimento de cerca de R$ 1 bilhão, a implantação de aproximadamente 400 quilômetros de gasodutos e o fornecimento do combustível renovável para Uberaba, Uberlândia, Indianópolis e Araxá a partir de 2028.
Maior chamada pública de biometano da Gasmig
O acordo é resultado da maior chamada pública de biometano já realizada pela Gasmig. Lançado em maio deste ano, o processo recebeu 27 propostas de 11 empresas. Após análises técnicas, econômicas e regulatórias, a Geomit foi selecionada para fornecer o combustível renovável por meio de um contrato com vigência de dez anos.
O que é o biometano?
O biometano é um combustível renovável produzido a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, como dejetos de animais e restos de culturas agrícolas. Depois de purificado, ele pode ser utilizado da mesma forma que o gás natural, mas com a vantagem de ser uma fonte renovável. O combustível será produzido a partir de resíduos orgânicos gerados na Usina Vale do Tijuco, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), em Uberaba. A expectativa é que a produção contribua para ampliar o uso de fontes renováveis e reduzir as emissões de carbono.
Cronograma do projeto
Segundo a Gasmig, a Geomit — formada pela Mitsui Gás e Energia do Brasil e pela Geo Bio Gas&Carbon — será responsável pela construção da rede de gasodutos que atenderá, inicialmente, Uberaba, Uberlândia, Araxá e Indianópolis. A previsão é que as obras da planta de produção e da infraestrutura comecem em 2027. O fornecimento do biometano por meio dos gasodutos está previsto para 2028, após as etapas de licenciamento e implantação da rede.
Impacto na sustentabilidade
A expectativa é que a infraestrutura impulsione o mercado de gás renovável em Minas Gerais e amplie o abastecimento de indústrias, comércios e do setor de transportes. Para Mila Corrêa, Secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, a assinatura do contrato converge com a política de mudança climática que o estado tem conduzido. O projeto também está alinhado à Lei do Combustível do Futuro, que prevê a inclusão gradual de gases renováveis na matriz energética brasileira. A regulamentação estabelece uma participação mínima de 1% de biometano no consumo nacional de gás natural em 2026, percentual que deverá crescer gradualmente até atingir 10% em 2034.
Por que o Triângulo Mineiro?
Segundo o presidente da Gasmig, Gustavo de Marchi, o potencial do agronegócio no Triângulo Mineiro foi um dos fatores que motivaram a implantação do projeto na região. Além disso, a posição estratégica da região e a proximidade das plantas produtoras com o mercado consumidor também contaram porque reduz o custo logístico. "O biometano é uma tecnologia nova, mas que veio para ficar. Aqui materializamos um projeto que tenho certeza que será replicado país afora", disse Marchi.



