Queijos finos abrem novo mercado para lácteos no Brasil
Queijos finos abrem novo mercado para lácteos

A produção de queijos finos no Brasil tem se consolidado como um novo motor para o setor lácteo, impulsionada pela demanda crescente por produtos gourmet e pela valorização de técnicas artesanais. Segundo dados da Associação Brasileira de Queijos Artesanais (ABQA), a produção de queijos especiais cresceu 20% ao ano nos últimos três anos, movimento que já atrai investimentos de grandes laticínios e abre perspectivas de exportação.

Expansão do mercado interno e valor agregado

O mercado brasileiro de queijos finos movimenta atualmente cerca de R$ 2 bilhões anuais, com previsão de crescimento de 15% para os próximos dois anos. O consumo per capita, embora ainda baixo (0,5 kg por ano), vem aumentando rapidamente, impulsionado pela maior oferta em supermercados e lojas especializadas.

“O queijo fino deixou de ser um item de nicho para se tornar um produto aspiracional. O consumidor brasileiro está disposto a pagar mais por diferenciação e qualidade”, afirma Carlos Mendes, presidente da ABQA. A entidade estima que o país já conta com mais de 1.200 produtores artesanais registrados, a maioria em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.

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Investimentos e modernização da produção

Grandes laticínios, como a Cooperativa Central Mineira de Laticínios (CCML) e a Piracanjuba, anunciaram recentemente investimentos em linhas dedicadas a queijos maturados, como gouda, parmesão e gruyère. Ao todo, os aportes superam R$ 150 milhões nos últimos 12 meses. A modernização inclui câmaras de maturação controlada e certificações internacionais para atender padrões exigentes de mercados como Europa e Oriente Médio.

“Estamos vendo uma transformação no setor. O produtor artesanal ganha escala sem perder identidade, e a indústria aprende a valorizar o terroir brasileiro”, explica Ana Paula Silva, diretora técnica do Instituto de Laticínios Cândido Tostes. Ela destaca que a queijaria artesanal gera emprego e renda no campo, com cada pequena unidade produtiva empregando em média cinco pessoas.

Exportação como próxima fronteira

O Brasil exporta atualmente apenas 2% de sua produção de queijos finos, mas o potencial é grande. Em 2025, os embarques somaram US$ 45 milhões, alta de 35% sobre o ano anterior. Os principais destinos são Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes Unidos. Para ampliar a participação, o Ministério da Agricultura lançou um programa de incentivo à exportação de lácteos diferenciados, com recursos de R$ 20 milhões para feiras e missões comerciais.

“O queijo brasileiro tem características únicas, como o uso de leite cru e fermentações nativas. Precisamos agregar essa história ao produto”, diz o ministro da Agricultura, Luís Eduardo Rangel. Além dos queijos tradicionais, versões com especiarias, trufas e maturadas em bebidas alcoólicas começam a ganhar espaço no mercado externo.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, o setor enfrenta obstáculos como a burocracia para registro de queijos artesanais e a concorrência com produtos importados. A carga tributária sobre derivados lácteos também é apontada como barreira, chegando a 35% em alguns estados. Ainda assim, a tendência é de consolidação do segmento como vetor de agregação de valor na cadeia leiteira.

A ABQA projeta que, em cinco anos, os queijos finos representarão 10% do faturamento total do setor lácteo brasileiro, ante os atuais 5%. Para isso, serão necessários mais investimentos em capacitação e infraestrutura. O próximo passo é a criação de um selo nacional de qualidade, que ajude o consumidor a identificar produtos certificados e fortaleça a imagem do queijo brasileiro no exterior.

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