Produtores rurais do Tocantins estão alterando o horário da colheita do milho safrinha para evitar prejuízos com as queimadas. O estado, que enfrenta baixa umidade e temperaturas em torno de 36°C durante a estiagem, registrou 11.548 focos de incêndio em 2025, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 2026, até 22 de julho, já foram contabilizados 3.314 focos.
Colheita noturna como estratégia de prevenção
Com mais de 1 milhão de hectares de milho plantados em 2026, os produtores precisaram adaptar a rotina para não perder a lavoura para o fogo. Em algumas fazendas, as máquinas operam durante a noite, quando o clima está mais fresco e o risco de faíscas provocarem incêndios é menor. "Como é uma época muito seca e quente aqui no Tocantins, a gente prefere colher de manhã cedo, até umas 11h da manhã, e voltar na parte da tarde, umas 4h, e colhe até 10h, 11 horas da noite, quando o clima está mais fresco", explicou o produtor Augusto Cela.
Caminhão-pipa acompanha colheitadeiras
Para aumentar a segurança, as colheitadeiras são seguidas por caminhões-pipa ou tratores com tanque de água. "Acontece às vezes de ter um princípio de incêndio. Para evitar esse tipo de problema, a gente colhe em horários que não são tão quentes, mesmo acompanhando um caminhão pipa ou trator com tanque de água atrás para não ter problemas", detalhou Cela.
Brigada de incêndio treinada em Talismã
Em Talismã, no sul do estado, a Defesa Civil montou e treinou uma brigada específica para atuar dentro das fazendas. O secretário de Meio Ambiente e Defesa Civil, João Carlos, explicou o esquema de resposta rápida: "Se precisar, a gente desloca a brigada na hora e os produtores da região ficam sabendo imediatamente, pois foram orientados que: pegou fogo põe no grupo e me avisa. Isso é simultâneo. Alguém vai estar no combate e alguém vai me avisando". A união entre produtores e Defesa Civil tem sido fundamental para evitar tragédias que se repetem todos os anos.



