TCU alerta: universalização dos Correios pode custar R$ 46 bi e ampliar risco fiscal
TCU alerta: universalização dos Correios pode custar R$ 46 bi

O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou que o custo estimado de R$ 46 bilhões para universalizar os serviços dos Correios pressiona as finanças da estatal e amplia o risco fiscal da União. O valor, calculado para atender a obrigações legais de entrega em todo o território nacional, foi apresentado em auditoria do órgão e divulgado nesta quarta-feira (22).

Custo elevado e impacto financeiro

Segundo o TCU, o montante de R$ 46 bilhões considera investimentos necessários para que os Correios cumpram integralmente as metas de universalização, que incluem a entrega de correspondências e encomendas em áreas remotas e de baixa densidade populacional. A estatal já enfrenta dificuldades financeiras, com prejuízos recorrentes e endividamento crescente. Em 2025, os Correios registraram déficit de R$ 1,2 bilhão.

“O custo da universalização é desproporcional à capacidade financeira atual dos Correios. Sem uma revisão do modelo, a empresa pode se tornar inviável, gerando pressão adicional sobre o Tesouro Nacional”, afirmou o ministro relator do processo, Bruno Dantas.

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Risco fiscal para a União

O TCU também destacou que a situação dos Correios representa um risco fiscal para a União, já que a estatal depende de aportes do governo ou de subsídios cruzados para manter operações deficitárias. O órgão recomendou que o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e o Ministério da Fazenda avaliem alternativas, como a redução das obrigações de universalização ou a criação de um fundo específico para custear o serviço.

A auditoria apontou ainda que o modelo atual de financiamento é insustentável. “A universalização, como está desenhada, consome recursos que poderiam ser usados para modernizar a empresa e melhorar a eficiência”, afirmou Dantas.

Reação dos Correios

Em nota, os Correios informaram que estão cientes do alerta do TCU e que já implementam medidas de ajuste, como a renegociação de dívidas e a busca por novas receitas. A estatal defendeu que a universalização é um serviço essencial e que o custo elevado se deve à extensão territorial do Brasil. “Estamos trabalhando para reduzir ineficiências e equilibrar as contas, mas é preciso que o governo e a sociedade discutam o modelo de financiamento”, diz o comunicado.

Impacto para os usuários

Para os usuários, o alerta do TCU pode significar mudanças na forma como os serviços postais são prestados. Entre as possibilidades estão a redução da frequência de entregas em áreas rurais ou a cobrança de taxas adicionais para localidades de difícil acesso. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a universalização, como prevista na Constituição, é um direito do cidadão, mas seu custo precisa ser equacionado de forma transparente.

O TCU deu prazo de 90 dias para que os ministérios envolvidos apresentem um plano de ação para mitigar os riscos identificados.

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