A disputa pelo comando do Conselho de Administração da Vale escalou nesta semana. O presidente do colegiado, Daniel Stieler, reagiu com duras críticas ao pedido de sua destituição feito pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da mineradora. Em nota, Stieler classificou a solicitação como 'falsidade ideológica' e 'abuso do direito de voto'.
Previ pede renovação e independência
A Previ protocolou formalmente o pedido de destituição de Stieler na última segunda-feira. O fundo, que detém cerca de 9% das ações da Vale, alega que a mudança é necessária para 'renovar a governança' e garantir 'maior independência' ao conselho. Stieler, que chegou ao cargo justamente por indicação da Previ, agora é alvo de críticas do próprio fundo.
Em comunicado, a Previ reafirmou sua posição e disse que a decisão será tomada em assembleia de acionistas marcada para julho. O fundo também declarou apoio a candidatos independentes para compor o conselho.
Reação de Stieler
Em resposta, Stieler afirmou que o pedido da Previ é 'contraditório' e 'oportunista'. Ele argumenta que a Previ sempre apoiou sua gestão e que a mudança repentina de posição configura 'falsidade ideológica'. Stieler também acusou o fundo de 'abuso do direito de voto', tentando impor sua vontade de forma unilateral.
Segundo fontes próximas ao conselho, a briga expõe divisões internas entre os acionistas da Vale, que já enfrenta desafios regulatórios e de imagem após o rompimento de barragens em Brumadinho e Mariana.
Impacto no mercado
Analistas avaliam que a disputa pode gerar instabilidade na governança da Vale, uma das maiores mineradoras do mundo. A ação da empresa fechou em leve queda nesta quarta-feira, refletindo a incerteza. A assembleia de julho será decisiva para definir o futuro do conselho e, possivelmente, a estratégia da companhia para os próximos anos.



