A estratégia dos pecuaristas de adiar o abate de gado para sustentar os preços da carne encontra limites. A previsão é de que os preços caiam ao longo do terceiro trimestre, impulsionados pelo aumento da oferta interna e pela concorrência de proteínas mais baratas, como frango e suíno.
Impossibilidade de manter o gado por mais tempo
Segundo analistas do setor, a capacidade de retenção de animais nos pastos está no limite. O custo de manter o gado por mais tempo, somado ao ganho de peso adicional, torna a operação inviável economicamente. Com isso, o abate deve ser retomado, elevando a oferta e pressionando os preços para baixo.
Além disso, a concorrência entre as proteínas animais deve se intensificar. O frango e o suíno, com preços mais competitivos, ganham espaço na mesa do consumidor, reduzindo a demanda por carne bovina.
UE ameaça restringir importações brasileiras
Outro fator que pode impactar o mercado é a ameaça da União Europeia de restringir as importações de carne brasileira. O bloco europeu exige a comprovação de que o gado não foi tratado com antibióticos proibidos. O Brasil precisa demonstrar a ausência dessas substâncias, o que é possível com tecnologias de rastreabilidade já disponíveis.
De acordo com especialistas, o país tem condições de atender às exigências, mas precisa acelerar a implementação de sistemas de controle. A demora pode resultar em perda de mercado para concorrentes como Argentina e Uruguai.
Perspectivas para o consumidor
Para o consumidor brasileiro, a expectativa é de alívio nos preços da carne nos próximos meses. A combinação de maior oferta interna, concorrência de outras proteínas e possível redução das exportações para a Europa deve derrubar os valores. No entanto, a queda pode ser limitada se a demanda aquecida no mercado interno continuar.
O cenário reforça a necessidade de o setor pecuário buscar maior eficiência e sustentabilidade, tanto para atender às exigências internacionais quanto para manter a competitividade no mercado doméstico.



