Ovo brasileiro se reinventa com novos produtos e mercados internacionais
Ovo brasileiro se reinventa com novos produtos e mercados

A indústria avícola brasileira está passando por uma transformação significativa, com o ovo deixando de ser um produto commoditizado para se tornar uma plataforma de inovação. Novos formatos, como ovos líquidos, em pó e pasteurizados, estão ganhando espaço tanto no mercado interno quanto nas exportações, abrindo portas para mercados antes inexplorados, como o Oriente Médio e a Ásia. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o setor projeta um crescimento de 15% na produção de ovos processados em 2026, impulsionado pela demanda por conveniência e segurança alimentar.

Diversificação de produtos impulsiona o setor

O ovo in natura ainda domina o mercado, mas os derivados estão ganhando relevância. Empresas como a Mantiqueira e a Granja Faria têm investido em linhas de ovos pasteurizados e líquidos, voltados para a indústria alimentícia e food service. “O consumidor busca praticidade sem abrir mão da qualidade. O ovo líquido, por exemplo, já representa 10% das nossas vendas e deve dobrar nos próximos anos”, afirma Ricardo Santin, diretor executivo da ABPA. A produção de ovos em pó, utilizada em massas, molhos e suplementos, também cresce a taxas de dois dígitos.

Exportações em alta para novos destinos

Historicamente concentrada nos Estados Unidos e na Europa, a exportação de ovos brasileiros está se expandindo para países como Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos. Em 2025, o Brasil embarcou 120 mil toneladas de ovos e derivados, alta de 22% sobre o ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura. “A abertura de novos mercados é resultado de acordos sanitários e da reputação do Brasil como fornecedor confiável”, destacou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Roberto Siqueira. A perspectiva para 2026 é de novos recordes, com embarques previstos de 150 mil toneladas.

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Impacto econômico e geração de empregos

A expansão do setor gera reflexos positivos na economia. A cadeia produtiva do ovo emprega diretamente 300 mil pessoas no país, e a inovação nos produtos tem demandado mão de obra qualificada em áreas como tecnologia de alimentos e logística. A renda dos produtores também se beneficia: o preço médio do ovo processado é 30% superior ao do ovo in natura, o que agrega valor à produção. Em Minas Gerais, maior estado produtor, a avicultura de postura responde por 40% do PIB agropecuário de algumas regiões.

Desafios e sustentabilidade

Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios, como o aumento do custo dos grãos para ração e as exigências ambientais dos mercados importadores. A pegada de carbono da produção de ovos tem sido alvo de críticas, e as empresas investem em energias renováveis e bem-estar animal para atender a padrões internacionais. “A sustentabilidade é o próximo passo para consolidar a imagem do ovo brasileiro como produto premium”, afirma Santin. Iniciativas como a redução do uso de água e o aproveitamento de resíduos já são realidade em granjas modernas.

Perspectivas para o consumidor final

Para o consumidor, a revolução do ovo significa mais opções nas prateleiras. Ovos enriquecidos com ômega-3, orgânicos e certificados começam a ganhar espaço, atendendo a nichos específicos. A expectativa é que, até 2030, os ovos especiais representem 25% do mercado interno, contra 12% atuais. A inovação, portanto, não apenas abre novos mercados, mas também transforma a relação do brasileiro com um dos alimentos mais tradicionais do país.

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