No Espírito Santo, mulheres de diferentes áreas profissionais estão transformando a paixão por abelhas em negócios sustentáveis. A técnica de enfermagem Kátia dos Santos, por exemplo, superou um choque anafilático causado por uma picada e hoje se dedica à apicultura, produzindo cosméticos e capacitando outros produtores. "Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura", afirma Kátia, que deixou a área da saúde há cinco anos.
Superação e persistência
Após sofrer uma reação alérgica grave, Kátia passou por dois anos de tratamento, incluindo injeções semanais do próprio veneno da abelha. "Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Fui persistente. Tem que gostar", conta ela, conhecida como Kátia Abelha em São Domingos do Norte. Sua história é um exemplo de como a determinação pode transformar um hobby em profissão.
Da programação à meliponicultura
A analista de sistemas Luana Pimentel descobriu as abelhas há mais de uma década ao se mudar para Aracruz. O que começou como um interesse pessoal logo se tornou uma atividade central em sua vida. Ela investiu em cursos de capacitação, participou de treinamentos da Associação de Meliponicultores Capixabas e hoje cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio. Luana produz mel, sabonetes, velas e bebidas artesanais, além de atuar como educadora ambiental em escolas. "As abelhas mudaram completamente a minha vida", afirma.
Hobby que vira negócio
A advogada Eva Pires Dutra, de 53 anos, começou a criar abelhas sem ferrão em Domingos Martins há um ano e meio. A produção ainda é pequena, voltada ao consumo próprio, mas ela planeja comercializar mel e própolis. "Hoje é mais um hobby, mas o objetivo é ter uma produção comercial", diz Eva, que busca capacitação e troca experiências com outros criadores. Ela destaca o potencial econômico e ambiental da meliponicultura, que também contribui para a polinização.
Nova carreira após esgotamento
A fisioterapeuta Giovana Branco encontrou na apicultura uma nova direção após enfrentar esgotamento profissional. Interessada em produtos naturais, ela conheceu o própolis verde e se apaixonou pelas abelhas. Com mentorias e cursos, estruturou sua empresa e conquistou o terceiro lugar nacional no Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores. "Foi um orgulho enorme. Mostrou que é possível crescer com dedicação e capacitação", afirma Giovana, que incentiva outras mulheres a empreender no setor.
De aluna a instrutora
Kátia Abelha, após deixar a enfermagem, especializou-se em cosméticos artesanais com produtos das colmeias. Hoje, ela e o marido Juliano, conhecido como "Juliano Abelha", ministram cursos em todo o Brasil, com apoio do Sebrae. O casal transformou a atividade em um negócio familiar, com os filhos Davi e Aaron crescendo envolvidos na rotina. "A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar", explica Kátia.
Abelhas e agricultura
O impacto das abelhas vai além dos produtos. Segundo José Roberto Gonçalves, da Cooabriel, elas são fundamentais para a cafeicultura, aumentando a produtividade e uniformidade dos frutos. Produtores com apiários têm uma segunda fonte de renda. A cooperativa mantém um apiário experimental e promove cursos de capacitação, alguns ministrados pelo casal Abelha.
Capacitação como chave
O analista do Sebrae, Daywidson Stabenow, destaca que a capacitação transforma conhecimento em negócio. "O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma estratégica", afirma. Ele ressalta a tendência do empreendedorismo feminino e as diversas oportunidades na cadeia produtiva das abelhas, como mel, própolis, pólen, cera e geleia real.
As histórias de Kátia, Luana, Eva e Giovana mostram que, com conhecimento e persistência, é possível transformar um hobby em uma fonte de renda sustentável, valorizando o meio ambiente e gerando independência financeira.



