Mel brasileiro: 83% do orgânico dos EUA vem do Brasil, mas setor luta contra tarifas
Mel brasileiro: 83% do orgânico dos EUA vem do Brasil

Em meio a uma nova rodada de tarifas propostas pelo governo Donald Trump, o setor apícola brasileiro trava uma batalha em Washington para evitar que o mel nacional seja sobretaxado. Dados apresentados pela empresária Joelma Lambertucci de Brito, da Lambertucci Trade Solution, revelam que cerca de 83% do mel orgânico importado pelos Estados Unidos tem origem no Brasil. No segmento de mel convencional, a fatia chega a 75%.

Desconhecimento do mercado americano

Segundo Brito, que participou de reuniões com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e o Escritório de Comércio dos EUA (USTR), os representantes americanos desconheciam a dependência do mercado em relação ao produto brasileiro. "Quando a gente sentou na mesa para negociar, eles não faziam ideia. Eles costumam olhar a marca do mel, mas não olham o país de origem", afirma a empresária.

O trabalho de lobby é liderado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Brito critica a falta de divulgação do setor: "Não adianta simplesmente ser o maior fornecedor, você tem que realmente propagar. Todo mundo sabe que a carne vem do Brasil, que o café vem do Brasil, porque tem um grupo que faz um lobby muito bom".

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Tarifas e impactos

Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após investigação sobre desmatamento, pirataria e PIX. No dia seguinte, anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. O mel não foi incluído na lista de isenções, o que motivou a mobilização.

No próximo dia 6, Brito participará de audiência pública em Washington para defender o produto. Importadores americanos e a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) também estarão presentes. A estratégia de defesa inclui quatro argumentos principais:

  • Ausência de concorrência no orgânico: A apicultura americana foca em polinização e mel convencional, enquanto o Brasil produz mel orgânico com abelhas africanizadas, mais resistentes e sem necessidade de antibióticos.
  • Impacto direto no consumidor: Tarifas elevariam preços e causariam desabastecimento de mel orgânico nos EUA, já que não há produção doméstica suficiente.
  • Dificuldade de substituição: A conversão para produção orgânica leva ao menos um ano, inviabilizando troca de fornecedor a curto prazo.
  • Prejuízos e perda de empregos: Importadores americanos testemunharão sobre riscos de queda de faturamento e cortes de postos de trabalho.

Setor já foi duramente atingido

O mel é um dos setores mais afetados pelos tarifaços de Trump desde 2024. O Piauí, maior exportador brasileiro do produto, destinou 85% do mel exportado em 2024 aos EUA. Em 2025, uma sobretaxa de 50% levou ao cancelamento de centenas de toneladas em vendas, causando perdas a milhares de famílias de apicultores. No estado, a apicultura sustenta mais de 40 mil famílias.

Brito mantém esperança: "Vamos crer que a gente vai conseguir essa isenção. Mas se a gente não conseguir, vamos continuar nosso trabalho de lobby com os formadores de opinião em Washington. Isso deve ser contínuo para melhorar a rede de apoio ao mel brasileiro".

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