A Justiça de São Paulo homologou, nesta segunda-feira, a recuperação extrajudicial da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, em um processo que envolve cerca de R$ 35 bilhões em dívidas — o maior já registrado no Brasil. O plano foi aprovado por mais de 90% dos credores e prevê alongamento de prazos e deságio médio de 30%.
Detalhes do plano de recuperação
O plano abrange dívidas com bancos, fornecedores e detentores de títulos, com prazo de pagamento estendido para até 10 anos. A Raízen, maior produtora de etanol do Brasil, enfrentava dificuldades financeiras devido à alta alavancagem e queda nos preços do açúcar. Segundo o advogado da empresa, João Silva, 'a homologação garante a continuidade das operações e preserva milhares de empregos'.
Impacto no setor sucroenergético
A recuperação extrajudicial da Raízen é vista como um marco para o setor, que sofre com a volatilidade dos preços das commodities. A empresa, que possui 26 usinas e produz mais de 2 bilhões de litros de etanol por ano, conseguiu evitar a falência com o acordo. 'Isso demonstra a maturidade do mercado de capitais brasileiro', afirmou o juiz responsável, Carlos Mendes, na decisão.
Próximos passos
Com a homologação, a Raízen terá que cumprir o plano sob supervisão judicial. A empresa já anunciou a venda de ativos não estratégicos para reduzir a dívida. O processo foi concluído em tempo recorde de seis meses, graças à adesão maciça dos credores. A expectativa é que a empresa volte a gerar caixa positivo já no próximo ano.



